Correr de barriga vazia é uma furada

Julia Zanolli

Tem gente que corre em jejum porque não está acostumado a comer de manhã (cadê a mãe dessas crianças, minha gente? Nem um leite com Toddy?), mas outros não comem nada achando que essa é uma ótima estratégia para perder peso. Nos dois casos, o resultado é o mesmo: falta de  energia. Imagine um soldado indo para a guerra. Leva as armas, mas resolve deixar as munições para trás para carregar menos peso. Esse é você, querido corredor em jejum. Chega uma hora em que você simplesmente não vai ter bala.

Apesar de todas as teorias que existem por aí, emagrecer é, sobretudo, uma questão matemática. Você precisa gastar mais do consome. Não importa o horário do dia em que você come, mas sim o resultado da conta.

E para conseguir gastar mais, você precisa ter pique para fazer exercício. Se for treinar de barriga vazia, provavelmente vai correr menos do que poderia se tivesse comido alguma coisa e vai queimar menos calorias.

“Ao comer, principalmente carboidratos, o corpo armazena energia, que será usada durante o exercício”, afirma Camila Leonel Mendes de Abreu, nutricionista da Unifesp. Não é um conceito abstrato, tem um tal de glicogênio que fica guardadinho nos músculos e no fígado para alimentar nossas atividades diárias. Os carboidratos são a principal fonte de energia do organismo, seguidos por gorduras e músculos.

Barriga vazia é oficina do diabo
Para o desespero de nutricionistas, que passaram as últimas décadas tentando nos ensinar que é preciso “comer porções pequenas várias vezes ao dia”, existe uma turma que defende que correr de barriga vazia ajuda a queimar mais gordura. É o “aeróbico em jejum” (AEJ- sim, existe até uma sigla para isso). A lógica é que, quando não há carboidratos disponíveis, o organismo queima gordura para conseguir energia. Mas como o corpo consegue manter estoques de carboidrato mesmo depois de uma noite sem comer nada, essa estratégia só aumenta os riscos de hipoglicemia (baixos índices de açúcar no sangue).

Por isso, Camila de Abreu indica algumas opções para antes da corrida. “Caso o exercício esteja programado para o final do dia, é necessário sempre estar alimentado. Nunca pratique qualquer tipo de atividade em jejum e não faça um intervalo maior que 4 horas da última refeição até a hora do exercício”, afirma. Ela também sugere evitar a ingestão de fibras e alimentos gordurosos, pois podem causar desconforto gastrointestinal. Dê preferência aos lácteos com baixo percentual de gorduras e retire as cascas e bagaço das frutas.

Segundo a nutricionista, o ideal é investir em combinações com bastante carboidrato e pouca proteína, como:

  • Pão com queijo branco e geleia + suco de frutas
  • Leite/iogurte batido com frutas + pão com peito de peru

Outras opções para quem tem dificuldade de comer pela manhã:

  • Cereais matinais (como “corn flakes”; evite os produtos com muita fibra)
  • Pães (como francês, forma branco ou bisnaguinha)
  • Bolachas e biscoitos simples (maisena, água e sal ou biscoito de leite)
  • Frutas descascadas ou com pouca fibra, como banana.

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Julia Zanolli

Julia Zanolli começou a correr em nome do bom jornalismo quando foi trabalhar na revista Runner’s World sem entender nada do assunto. A obrigação virou curtição, mesmo depois de sair da revista. Se livrou do carro para poder andar a pé pela cidade, mas é fã assumida de esteira. Prefere falar de comida do que de nutrição e acha que ter tempo é muito melhor do que matá-lo.

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