Mizuno explica seu Desafio Uphill

Paulo Vieira

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A CONVITE DO PATROCINADOR, este pasquim participou em setembro do Desafio Uphill, a prova de 42K pela Serra do Rio do Rastro, no sul catarinense, pirambeira entre as cidades de Lauro Muller e Bom Jardim da Serra.

A corrida é mantida e promovida pela fabricante esportiva Mizuno, marca japonesa licenciada no Triste Trópico pela Alpargatas, a empresa que possivelmente mais trocou de controlador nos últimos tempos neste país.

Trata-se de um case de sucesso no mercado de corridas de rua. Gera repercussão – “buzz”, como se diz – em vários momentos do ano: quando são abertas as inscrições, em outubro do ano anterior ao evento; durante o sorteio das vagas, em novembro; e finalmente na semana propriamente dita do cascalho, no final do inverno.

Até o dia 31 de outubro segue a temporada de pré-inscrições para a edição 2018 (20 pratas por cabeça, revertidas para um organismo de turismo riorrastrense). Pelos dados divulgados pela Mizuno, infere-se que a chance de nego conseguir uma vaga no sorteio, que foi de 1 pra 7 em 2017, pode ser ainda menor nesta edição.

Por conta das dificuldades logísticas, a prova tem poucas vagas – novecentas. E isso é conveniente para a organizadora, que assim consegue transmitir fortemente a ideia que essa corrida é só para os fortes, para os determinados, os “ninjas”, no dialeto local.

Na medalha da edição de 2017 ia grafada a seguinte frase: “Aqui se fabrica (sic) lendas”.

Não é difícil pensar nessa hora no Poema em Linha Reta – fica aqui, aliás, uma sugestão para a próxima edição: reproduzir a obra de Fernando Pessoa ao longo dos 42K da estrada.

Este pasquim produziu diversos posts em que relativizava a dificuldade dessa maratona. Eles podem ser relembrados ou conhecidos abaixo.

ESPECIAL UPHILL – NINGUÉM É NINJA POR TERMINAR O DESAFIO DO RIO DO RASTRO

ESPECIAL UPHILL – A AMIZADE FALOU ALTO NO ALTO DA SERRA

ESPECIAL UPHILL – DESCONSTRUINDO A MONTANHA

ESPECIAL UPHILL – ENTREVISTAS SUADAS

De toda sorte, faltava ouvir o próprio organizador do evento. Ele aparece agora. Devo dizer que as perguntas e possivelmente as respostas perderam a potência por terem sido feitas por e-mail, exigência hoje quase unânime de entrevistados e seus estrategistas.

O entrevistado é Eduardo Oliveira, gerente de marketing esportivo da Mizuno Brasil.

JORNALISTAS QUE CORREM – A Uphill 2017 atingiu seus objetivos?

EDUARDO OLIVEIRA –  Sim. Nossos objetivos são mais qualitativos. Trabalhamos para tornar a Mizuno Uphill uma prova desejada pelos corredores e para oferecer um evento de padrão internacional. E pela repercussão que tivemos, posso afirmar que a prova cumpriu seus objetivos com louvor. Tivemos grande envolvimento dos atletas, desde as pré-inscrições até o pós-prova. Acompanhamos esse engajamento durante toda a jornada, além do feedback passado durante o evento e pelas redes sociais, resultando uma ótima repercussão do projeto. A Mizuno Uphill é um projeto bem consolidado.

JQC –  Muda alguma coisa em 2018? 

OLIVEIRA – Tivemos muitos aprendizados desde o início, em 2013. E chegamos a um bom nível de maturidade. Em 2017 nos aproximamos do modelo mais adequado e vamos manter a programação, com largada dos 42K pela manhã, 25K à tarde e o Desafio Samurai (N.d.E: É chamado de “samurai” o maluco que faz as duas provas em sequência, totalizando 67K). Mas, claro, sempre serão feitos ajustes buscando um nível máximo de excelência

 JQC – Qual a razão das mensagens “só os fortes”, “ninja” etc? Valorizar claramente o desafio? 

OLIVEIRA – A Mizuno Uphill é uma prova exclusiva, desafiadora, que foge do comum. Quem participa dela também tem ou busca essas características. Muitas dessas expressões, inclusive, foram criadas pelos próprios atletas. A comunicação, portanto, não poderia ser diferente. A Uphill é uma prova que virou objeto do desejo, um desafio que o corredor busca para se sentir diferenciado.

Em homenagem ao corredor diferenciado, o poema adrede citado na interpretação do saudoso Abu.

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 6, com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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