Receita de vida saudável

Paulo Vieira

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NO PRINCÍPIO, era o prazer.  E continua sendo. Há pouco mais de três anos, quando iniciávamos a jornada deste pasquim, disse: Quer correr, então comece do começo – gostando de correr.

QUER CORRER: ENTÃO COMECE DO COMEÇO, GOSTANDO DE CORRER

Parece – e é – uma formulação simplicíssima, simplória, se quiser, mas nem todos se lembram de que o cascalho é vetor de algumas coisas maravilhosas: endorfina, sociabilização, conversas, recompensas pessoais, bem-estar, disposição, saúde.

UM DIA PERIPATÉTICO

Claro que pode valer a pena se esforçar em treinamentos dirigidos visando obter ganhos de performance e, ainda melhor, de saúde. Para alguns, com efeito, até treinos de intensidade são prazerosos.

PERFORMANCE, PERFORMANCE, PERFORMANCE

Em conversa ontem com o treinador Mario Sergio Andrade Silva que logo chegará a nossos pixels, o fundador da Run & Fun insistiu que correr uma prova longa acima do peso, como alguns de seus alunos fazem, não é nada salutar. Por isso é importante se esforçar em treinos em que haja mudanças de ritmo. “O corpo se acostuma muito rapidamente a um padrão e aí não há ganhos.”

A MELHOR FEIJOADA DA CIDADE

Com um bom plano de treinamento de corrida, você não precisa abdicar de outras coisas boas da vida.

Foto: Andrés Nieto/Flickr
Foto: Andrés Nieto/Flickr

Acordar cedo, vá lá, ainda mais num país de temperaturas médias tão generosas. Já deixar de beber ou de comer uma feijoada, se isso é um prazer, não parece razoável. Até porque, com a corrida se tornando um hábito, dificilmente você vai tomar porres homéricos ou, como na formulação famosa, irá morrer de vodca.

MELHOR MORRER DE VODCA OU DE SUPINO?

O vinho tinto e principalmente a cerveja, uma bebida de predileção de tantos corredores, mesmo alguns atletas de alto rendimento, podem ser aliados. Há até circuitos de corrida em que é preciso beber uma lata de cerveja a cada giro de 400 metros.

O ATLETA MAIS COOL NÃO VEM AO RIO

O álcool desidrata, mas há cervejas de baixo ou nenhum teor alcoólico; e você pode utilizar como estratégia um reposição hídrica proporcional ao álcool que bebeu. Por outro lado, a cevada e o lúpulo presentes na cerveja contêm flavonoides, elementos que contribuem para combater a oxidação das células.

Esse trabalho antioxidante é capital na recuperação do estresse provocado pelo esforço físico.

BEER MILE

Já o malte tem algumas vitaminas do complexo B, muito útil no nosso metabolismo energético – a conversão dos nutrientes da comida em energia. A vitamina B6, também presente, contribui para um sono mais reparador.

A MARATONISTA CERVEJEIRA

Foi para dormir melhor que a campeã panamericana chilena da maratona começou a tomar duas latinhas todas as noites.

O resto, a corrida faz. Uma exposição segura ao sol (até 15 minutos no começo da manhã ou no fim de tarde) garante a síntese da vitamina D que promove a absorção do cálcio, indispensável para a saúde da massa óssea, assim como a própria atividade física.

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 6, com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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