Adivinha quem corre Boston hoje?

Paulo Vieira

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A MARATONA DE BOSTON É A MAIS DESEJADA DO mundo. Suas doze décadas de tradição  e o processo de inscrição, que exige uma qualificação de tempo cada vez mais rigorosa, fazem dela o fetiche do fetiche do grande fetichista, o maratonista.

Meu colega Sérgio Xavier, ligeiro como só ele, já extraiu desse grande limão uma caudalosa limonada, o livro Boston – A mais longa das maratonas.

Pode-se dizer que toda a carreira maratonística do parça só houve em razão de Boston. Depois de ter corrido há dois anos a mara das maras, passou a curtir uma suave aposentadoria endorfínica, que o faz pensar duas dúzias de vezes antes de encarar um trotinho.

Mas com o maluco do Nilson Lima as coisas não se passam bem assim. Nilsão, o homem que não para de empilhar maratonas no currículo, corre hoje sua 245ª mara, a décima prova de 42K seguida em 17 dias.

Boston é um dos 42K que ele faz questão de estar chova cão, gato ou canivete. Será sua nona participação, o quinto ano consecutivo.

A outra prova que ele procura ir todo ano é a sul-africana Comrades, a ultra mais famosa do mundo, com seus 90K. São seis participações consecutivas desde 2013.

Ano passado ele acrescentou 53 maras e ultras ao currículo, e a média de 2019 aponta para algo semelhante: até o fim de abril deve completar outras 15.

O camarada não tem grande expectativa de tempo para hoje. “Sete [maras] em sete dias, a última ontem, isso aliado a grandes viagens, qualquer sub 4 em Boston tá ótimo”, disse a este pasquim por Zap.

Mas como ele já correu lá 3:22, tenho certeza que tentará fazer força melhorar os 3:49 do ano passado. Projetou no “scout” da organização Marathon Maniacs, em que registra suas provas, o tempo de 3:45.

Nessa doideira de correr uma maratona por dia em uma semana, os deslocamentos são, de fato, maratonas à parte. Todas as provas foram feitas em estados americanos diferentes e em cidades minúsculas, que exigem combinações de modais bastante cansativas. A treta começou em Winnsboro, na Luisiana, e terminou em Vienna, no Illinois.

Talvez por isso, e pelo cansaço acumulado de tamanho esforço, Nilsão tenha sido sub 4 apenas nas duas primeiras provas desse giro americano, a de Winnsboro e a de Lake Village.

Quando voltar ao Brasil, no meio da semana, pretende descansar carregando pedra. Corre já neste domingo a mara de Brasília e no domingo seguinte joga em casa, em Uberlândia, competindo na maratona que leva seu nome.

O homem, o mito

 

E eu aqui achando que já resolvi o ano com meu 3:48inho na mara de São Paulo de domingo retrasado.

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 9 (4 em SP, 2 Uphill Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

Um Comentários

  1. Avatar
    Hermom Dourado

    Ouvi falar que existe um livro sobre este camarada que será lançado no próximo dia 27, mas já está à venda, em versão e-book, em: https://www.amazon.com.br/dp/B07MJP8PK3

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