Dói tudo

Julia Zanolli

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Começar a correr é difícil. Voltar a correr depois de um tempo parada talvez seja ainda mais. Você sabe que um dia já conseguiu botar para quebrar durante 40′ e agora fica com a língua de fora para correr 20′. Foi assim que comecei a sentir dor – voltando aos treinos depois de algumas semanas parada.

Fui pianinho, correndo pouco, intercalando com caminhada. Mas algumas horas depois parecia que os músculos tinham passado em uma máquina de moer carne. Normal, tem que ganhar condicionamento de novo, pensei. Duas semanas, um mês. Continuei treinando, mesmo sem conseguir correr muito. Mas agora não dói só a musculatura, dói tudo. Aí chegou a hora de saber a diferença entre determinação e teimosia – não é normal sentir tanta dor.

Voltei para a fisioterapia e descobri o kinesiotaping, um método japonês sensacional para aliviar a dor e muito usado por atletas de ponta (não que eu seja um deles, naturalmente). E pedi a ajuda do Diego Leite de Barros, diretor da DLB Assessoria Esportiva e pós graduado em fisiologia do exercício, para tentar entender esse drama. Abaixo, ele explica as causas e consequências da dor.

Jornalistas Que Correm: Quais são os principais motivos de dores em corredores?
Diego Leite de Barros: Má alimentação, falta de sono, falta de alongamento, pisos muito rígidos [como o concreto], desvios de pisada e principalmente sobrecargas de treino causadas pela falta de planejamento adequado. A dor é um sintoma importante e deve ser levada a sério, normalmente indica que alguma estrutura do corpo (ligamento, tendão ou musculatura) está sendo usada de maneira inadequada ou além do limite que ela suporta. A evolução deste quadro invariavelmente leva a lesões mais sérias.

JQC: Por que é perigoso ficar mascarando a dor com remédios?
DLB: Com o uso frequente de medicamentos, principalmente os antiinflamatórios, não podemos investigar a causa original da dor.  Assim o quadro tende a se agravar com o tempo de treino.

JQC: Como saber se é hora de parar e procurar ajuda?
DLB: Quando a dor passa de um incômodo e torna-se presente diariamente, causando limitação de movimento, deve-se procurar ajuda médica.

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Julia Zanolli

Julia Zanolli começou a correr em nome do bom jornalismo quando foi trabalhar na revista Runner’s World sem entender nada do assunto. A obrigação virou curtição, mesmo depois de sair da revista. Se livrou do carro para poder andar a pé pela cidade, mas é fã assumida de esteira. Prefere falar de comida do que de nutrição e acha que ter tempo é muito melhor do que matá-lo.

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