Uma maratona daqui a alguns dias e adivinha quem não está treinando?

Paulo Vieira

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MARA DE SÃO PAULO. YESCOM. Tava com saudade daquelas baias de pace que ninguém respeita, da água servida na temperatura ambiente, da feira qualquer nota no ginásio do Ibirapuera.

Cosalinda.

Essa é a mais antiga – jubileu de prata neste ano – e indubitavelmente a pior maratona paulistana. Perde tremendamente em qualidade para a mara da Iguana, a SP City, que desde sua primeira edição, em 2017, disse a que veio.

Mas mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, vou alinhar com a tigrada no domingo, 7 de abril, lá no Pacaembu.

MINHA PRIMEIRA MARA, SÃO PAULO (yescom), EM 2015

MINHA SEGUNDA MARA, SÃO PAULO (yescom), FAZER O QUÊ, EM 2016

MINHA TERCEIRA MARA, JET LAG E VENTO LATERAL, NOVA ZELÂNDIA, 2017

MINHA QUARTA MARA, RIO, SOL PRA CADA UM, 2017

MINHA QUINTA MARATONA, SEM ESSA DE NINJA, RIO DO RASTRO, 2017

MINHA SEXTA MARA, UDI /NILSON LIMA, 2018

MINHA SÉTIMA MARA, CHUVA NA SERRA CATARINENSE, 2018

A MEIA NA SPCITY SEM O NÚMERO DE PEITO

GESU BAMBINO: COMO NÃO CORRER UMA MARATONA DE NY

UM NOVO PATROCINADOR NAS CORRIDAS DE RUA DO BRASIL

PARE DE USAR PLANILHA

PARE DE DISPUTAR PROVAS DE CORRIDA

Deu saudade real desse troço. Comecei a achar que já fazia muito tempo que corri meus últimos 42K. Desde aquela Uphill Rio do Rastro feita sob chuva na serrinha catarinense serão sete meses e uma semana no próximo 7 de abril.

São Paulo é a melhor justificativa possível para correr uma prova, ainda que eu professe, o doutor Bellas sabe bem, certo desdém por elas, as provas.

Mas não é o itinerário pouco criativo ou a temperatura, que no começo de outono pode bem bater nos 27, 28 graus, o “the best” dessa mara.

É que em São Paulo eu não gasto com avião, Airbnb, jantar de massas… O investimento é só mesmo o pixo da inscrição, que aliás já é elevado demais para o que oferece (um chip descartável, atendimento médico, uma playlist musical desatualizada na hora da largada e o principal, a possibilidade de me juntar aos demais companheiros de prova).

E ainda dá para pagar em duas vezes no cartão – 110 paus sem camiseta.

Há mais uma razão que me levou a cacifar a problemática velha mara de Essepê: faz uma data que eu não pego pesado nos – como vocês dizem – treinamentos.

Sábado passado rolou um longuinho por 2h10 pelas ruas da cidade, algo entre 23K e 25K, Usp e morros do Morumbi predominando, mas isso está longe de corresponder a 2/3 da distância da mara.

Aquela velha e excitante questão, vai dar para terminar sem andar, voltou a perpassar meus pensamentos maratonísticos.

“Arrivista da corrida” como eu pretensiosa e pernosticamente me intitulo, não poderia perder esta oportunidade de mostrar que a planilha tem lá seus benefícios – quando usada para preencher o imposto de renda.

Mas será que é preciso mesmo seguir um plano de treinamento de quatro meses, tiro uma vez por semana, longão no sábado, quilometragem média semanal na casa dos 50K etc., como professa o cânone brasileiro do treinamento para maratona, para se dar bem nos 42K?

Espero sinceramente que não.

(Se não, tofu.)

Também vai ser uma boa oportunidade para avaliar se o dinheiro da família Ometto e de seus sócios minoritários pulverizados na bolsa será bem empregado. Como o leitor deste pasquim bem sabe, a Cosan passou a ser o grande patrocinador das corridas de rua do Brasil.

A Iguana da SP City, o pessoal que organiza o circuito Track and Field e, sim, a Yescom são as grandes beneficiárias dessa decisão. No caso da Iguana, pelo que já é visível no site oficial da organizadora, há um enorme destaque para o patrocinador.

O que não acontece no site da Yescom. Vejamos na prova se essa suposta nova era das corridas de rua do Brasil consegue vencer a letargia vai-desse-jeito-mesmo-e-não-me-encham-o-saco que caracteriza os eventos da veterana.

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 9 (4 em SP, 2 Uphill Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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