A verdadeira corredora raiz

Paulo Vieira

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CORREDOR RAIZ, COMO SE DIZ POR AÍ, é isso. Os tarahumaras, ou rarámuris (“de pés ligeiros”), que vivem nas montanhas da serra do Cobre, no norte do México, estrelas do best seller Nascido para Correr, não usam smartphone e preferem velhas sandálias rústicas que eles mesmo fazem a tênis com amortecimento para correr, diariamente, distâncias de ultramaratona.

A história desse povo é bastante conhecida, o livro do americano Christopher McDougall logo vira filme, mas há uma novidade.

Trata-se da presença da tarahumara Lorena Ramírez, 22 anos, no clipe de Movimiento, música do uruguaio Jorge Drexler lançada no final do ano passado. O  sempre combativo Leonel Feltran generosamente enviou-mo – o link do clipe – ontem.

A música fala de migração, um tanto mais literal do que metafórica.

Ei-los, clipe e Lorena, abaixo.

Lorena é uma tarahumara que, como todos os demais tarahumaras, corre uma barbaridade.

Para citar alguns de seus feitos, venceu ano passado uma prova de 50K em Puebla, na área central do México, correndo com seus huaraches (sandálias) e sua roupa tradicional – um longo vestido.

Derrotou na ocasião outras 500 competidoras de 12 países diferentes.

CORRENDO COM OS TARAHUMARAS

TELMA, NÃO SOU TARAHUMARA

DO PERU

MORRER FAZ PARTE DO JOGO NA EXPLORAÇÃO DA NATUREZA

Também logo depois ganhou os 100K da ultra de Guachochi, em Chihuahua, estado natal dos tarahumaras, fechando a prova  em 12 horas e 44 minutos. Os 35K de variação altimétrica de 1450 metros devem ser fichinha para ela.

Este ano ela foi ainda mais longe. Em Tenerife, na Espanha, chegou em terceiro numa ultra de 102K que escalava picos de até 3 500 metros. Foi a primeira ultra dela na Europa. A família Ramirez anda se fez representar pelo irmão e outra irmã de Lorena, que chegaram em 22º geral e 15º no feminino, respectivamente.

Depois disso, nos 100K de Guachochi deste ano, disputados sábado passado sob mau tempo, Lorena chegou em segundo.

Drexler explicou a escolha de Lorena para seu clipe ao jornal El Universal, do México: “Um povo que sobreviveu movendo-se serra adentro e que vê o ato de correr e mover-se como algo natural, que eles praticam desde crianças e que consideram parte fundamental de sua identidade.”

No vídeo abaixo, Lorena e seu irmão explicam alguns “segredos” rarámuris, como a dieta minimalista que encaram antes de enfrentar as montanhas.

Foto da home: Jorge Drexler (arquivo pessoal)

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 9 (4 em SP, 2 Uphill Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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