E pra sair da cama?

Paulo Vieira

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MUITA GENTE ESTÁ exultante com sua performance na Mara do Rio, ontem. Os que completaram essa prova fetiche e celebrada tiveram a sorte de contar com uma temperatura amiga, bem diferente do que aconteceu na Mara de SP de 24 de abril.

Mas e quando essa temperatura amiga fica “amiga” demais? Semana passada, termômetros de São Paulo marcaram 10 graus, coisa raramente vista nos últimos anos. E ainda tinha uma chuvinha em cima.

5 DICAS PARA CORRER NO FRIO

A MARA DE SP, CANTIGA TELEGRÁFICA

A MARA DE SP, CANTIGA DE AMOR

A MEIA MARA DE SP, CANTIGA DE ESCÁRNIO

MARIO SERGIO SILVA E O MURO DOS 30K

ESCOLINHA DO PROFESSOR DARLAN

Na minha primeira manhã sob essas condições, estranhei. Parecia que meu esforço era maior do que nos incontáveis dias de corridas a 30 graus e céu de brigadeiro.

Por isso, consultei os universitários, digo, os acadêmicos, os célebres treinadores Mario Sergio Silva e Darlan Duarte, sócios-proprietários das assessorias Run & Fun e Pacefit. Eles explicam o que você deve fazer em dias de bater queixo.

Primeiro, o Mario.

A TEMPERATURA PERFEITA

Apesar de ser mais difícil no início, o treino no frio exige menos esforço, já que o calor consome muita energia do corpo. É preciso fazer a troca de calor e ao mesmo tempo manter a reposição hídrica, já que é perdido muito líquido no treino. Doze ou treze graus Celsius é a temperatura perfeita, pois com 10 minutos de corrida leve o corpo já se aquece; aí é possível correr em ritmos mais fortes por mais tempo. Não à toa, as principais provas de longa distâncias são feitas em temperaturas mais frias.

A ESTRATÉGIA 

No frio, é preciso fazer um bom aquecimento, além de alongamentos para preparar a musculatura. A tradicional corrida leve de 10 minutos pode ser aumentada para 15′ ou 20′. No caso dos intervalados, sugiro também algumas acelerações de 10 segundos intercaladas com uma corrida de 1′ bem leve. Seis tiros desses preparam bem para o treino mais forte. Se os tiros forem curtos, é importante não ficar parado no descanso, e incluir uma corrida bem leve no intervalo a fim de não se desaquecer.

OS FRIORENTOS

Nós brincamos na Run & Fun que corredores [de verdade] se distinguem dos curiosos nesses dias de frio. De 20% a 25% dos nossos alunos não aparecem. O maior problema é mesmo sair da cama.

A HIDRATAÇÃO

Alguns corredores acham que pelo fato de estar frio não é necessário se hidratar. É um erro comum. A sensação de sede pode não ser a mesma daquela de um dia quente, mas é preciso manter o mesmo esquema:  hidratação a cada 15′ de treino. Além disso, se você não faz um bom aquecimento (alongamento preparatório+aquecimento), pode ter dificuldades.

A ROUPA

A sensação de frio pode ser diminuída com uma roupa apropriada. Calça de corrida (tight), colete de nylon por cima da camiseta e o uso de gorro ou mesmo luvas ajudam o corpo a se aquecer rápido.

Agora, Darlan.

FRIOZINHO EM CIMA

Nestes dias frios, o desgaste físico reduz consideravelmente, criando um ambiente mais propício para melhorar sua performance. Porém, é muito importante que exercícios de aquecimento e mobilidade muscular sejam feitos por mais tempo. Com  temperatura baixa, o músculo fica mais encurtado. Feito isso, qualquer treino [intervalado, força] pode ser realizado.

QUE CORRER, QUE NADA

Com o frio, muitas vezes a frequência de nossos alunos nos treinos cai a 30% ou 40%. Mas ao elaborarmos metas, mantemos os  corredores dentro do foco.

NA ESTICA

Às vezes, quando o corredor não se agasalha adequadamente, ou quando o frio aumenta a dificuldade de respirar, é normal ocorrerem desconfortos, dando a percepção inclusive de maior dificuldade para correr. Assim, usar luvas ou gorro pode ser interessante.

 

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 9 (4 em SP, 2 Uphill Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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