2015, o ano que agora começou

Paulo Vieira

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Trinta e um de março não é um dia de boas recordações, mas a ida do ministro do Contingenciamento ao Senado ontem parece ter tido o condão de fazer 2015 começar. Agora que ficou claro que o PMDB concedeu que o ajuste fiscal saia com apenas quatro dígitos de emendas do partido, as empresas já encontram ambiente mais seguro para deslanchar suas estratégias.

Num esforço de reportagem, o JQC apurou nas poucas horas entre a fala humilde do ministro e o horário da aula de remo de um de seus editores o que o setor ligado à corrida tem para mostrar em 2015.

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– Sensibilizada pelos apelos do Governo Federal, a Nike bateu o martelo. Vai transferir suas fábricas do Sudeste Asiático para o Mercosul. Não ficou claro, contudo, se é no Brasil, Paraguai, Uruguai ou Argentina que passará a produzir o Nike Free.

– Apesar de todo o investimento no desenvolvimento do revolucionário produto, a Adidas vai desacelerar o marketing em cima de seus tênis Boost. No Brasil, pelo menos, onde, também em parceria com os órgãos competentes, concordou em utilizar materiais procedentes da capacidade ociosa da refinaria de petróleo Abreu Lima. Segundo e-mails internos a que o JQC teve acesso, a palavra de ordem agora é “resistência”. Uma das frases desses comunicados é profética: “Acabou-se o tempo da flexibilidade e do desempenho.”

– A Alpargatas irá voltar a produzir o Kichute, agora em versão performance. Já convenceu os executivos da Mizuno a lançá-lo mundialmente.

– Uma comissão ligada à Igreja do Evangelho Octogonal, perdão, ao ministério do Esporte, viajará ao Quênia para negociar um acordo de cooperação. O objetivo é fazer com que atletas brasileiros vençam a São Silvestre em anos pares (ou ímpares). A comissão está sendo capacitada nas intricadas negociações com os países do Continente Negro pela equipe de Pedro Barusco.

– MPR e Run & Fun, as maiores assessorias esportivas do país, aceleram os ponteiros para a iminente fusão. “O CADE está no bolso”, teria dito um dos treinadores numa manhã num parque de São Paulo.

– Descontente com as críticas constantes, a Yescom irá mudar as regras de cronometragem de suas provas de corrida. Para a maratona de São Paulo, em maio, não muda nada; mas para os eventos do segundo semestre já pretende abolir o chip de corrida e permitir que os participantes marquem seu próprio tempo. Basta, para isso, que comprem um relógio calibrado e comercializado pela organização.

– Nem mahamudra nem crossfit. A febre “funcional” do verão de 2016 envolve técnicas de meditação e pompoarismo. Os gestores do subsetor de tênis de mesa já começam a fazer listas do que irão comprar com os gordos bônus de fim de ano.

– É pouco provável que as tratativas resultem em algo, dada a tradição da prova, mas representantes da Igreja do Evangelho Poliédrico, digo, ministério do Esporte, iniciaram conversas com o COI para aumentar a extensão da maratona da Olimpíada do Rio. Uma grande emissora de TV apoia a iniciativa.

Mais listas bacanas do JQC:

51 coisas que a corrida faz por você

10 mandamentos sagrados da corrida

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 9 (4 em SP, 2 Uphill Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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