Doutores da endorfina

Paulo Vieira

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Advogados e funcionários da Pinheiro Neto Advogados nas provas de corrida de rua
Doutores da adrenalina

Na última Maratona de São Paulo, domingo passado, uma barraca amarela perto do Obelisco do Ibirapuera chamou minha atenção. Não era de assessoria esportiva, não era de clube. Era de um escritório de advocacia. Um desses enormes, onde trabalham mais de 700 pessoas, o Pinheiro Neto.

Os “pinheirenses” não estavam lá para prestar assessoria jurídica aos competidores. Estavam lá para correr. A relação do escritório com a corrida de rua começou em 1999, bastante influenciada pela paixão de Cristianne Zarzur, desde 2006 uma das sócias da empresa, pela atividade.

No princípio, em 1999, alguns poucos funcionários se inscreveram para uma Maratona Pão de Açúcar, em São Paulo. Em 2013, no domingo passado, já eram 65, grande parte nos 10K e na caminhada.

O Pinheiro Neto Advogados não é, claro, a única empresa que estimula seus funcionários a praticar esportes e a participar de competições esportivas. Mas mesmo sem subordinar isso a uma ação que vise, quem sabe, aumentar a produtividade dos funcionários, o negócio é levado a sério. Há funcionários responsáveis pelas divisões “corrida”, “futebol” e “rúgbi”.

Eles cuidam da logística, do calendário, dos uniformes de cada modalidade e ainda manejam um orçamento para viabilizar todas essas atividades.

No caso da corrida de rua, a responsável é a advogada paulistana especialista em fusões empresariais e propriedade intelectual Bianca Bocage, 34 anos, que já esteve em três ultramaratonas e é adepta também da corrida de montanha e do mountain bike.

Em entrevista por telefone, disse ao JQC que o escritório banca as inscrições dos funcionários em quatro provas anuais e ainda subsidia 50% da mensalidade na assessoria esportiva Race para quem quiser treinar.

Para Bianca, o melhor é ver todos os funcionários da empresa, de CEOs a estagiários, de advogados seniores a administrativos, juntos, num ambiente onde as relações hierárquicas são muito atenuadas.

Uma das ultramaratonas de que Bianca participou foi no Nepal, terminando no Base Camp, a mais de 4 mil metros de altitude. Nos Lençóis Maranhenses atingiu sua maior distância percorrida num único dia – curiosamente a marca da maratona, 42K. A pedido do JQC, ela indicou o bar Japi a pé, na Serra do Japi, em Cajamar, pertinho de São Paulo, como ponto de apoio para uma corrida ou pedal em montanha “energizador”.

Eu não fiz essa pergunta, mas tenho a impressão de que o pessoal da “PNA” não iria negar uma ajuda jurídica a quente a um corredor em caso de necessidade. Mas você consegue imaginar que tipo de demanda alguém possa ter durante uma corrida?

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 9 (4 em SP, 2 Uphill Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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