Um grande jornalista que corre: Antonio Carlos Castro, a.k.a. Gesu Bambino

Paulo Vieira

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Jesus correndo entre nós
Jesus correndo entre nós

Se houvesse um concurso de popularidade no edifício de 25 andares, 35 áticos e 73 cadafalsos do NEA, como é conhecido o prédio de Pinheiros onde estão as redações da Editora Abril, Antonio Carlos Castro, vulgo Tony, vulgo Gesu Bambino, ganharia com o pé nas costas. Gesu é daqueles caras com quem é melhor não descer para tomar café. No trajeto do 7º andar, onde trabalha, ao pátio, ele vai conversar com 1 515 pessoas.

Tony começou a correr bem antes de trabalhar na revista Runners World Brasil, onde é editor de arte. Aos 17 – ele não revela a idade atual, mas tem a ver com seu apelido -, disputou sua primeira prova. Perguntei a ele o que o levou a correr. “Gosto de correr desde criança e acredito que os benefícios são os melhores possíveis: disposição, forma física, perda de peso.”

Gesu, não por acaso, é meu principal companheiro de corrida. Estamos num patamar parecido. Nossos treinos (eu prefiro, você sabe, “corrida”) ultrapassam 1h30. Com ele e outros companheiros da Runners já disputei uma maratona de revezamento de Ilhabela na qual nós dois, por distração na hora de “pegar o bastão”, fizemos a equipe perder uns bons 5 minutos. Nessa prova, Gesu ficou com a parte do leão (da montanha). Teve de enfrentar a subida de Castelhanos, que ele calculou ter uns 7 quilômetros. Um dos meus trechos, coincidentemente, o acompanhava por 2 quilômetros nessa subida. Acho que ficaria pelo caminho se tivesse de continuar subindo. A pirambeira simplesmente não acabava, não havia uma área plana para descansarmos a tração dianteira por alguns segundos.

Também corremos em Gonçalves, na Mantiqueira, onde ele aluga uma modesta e muito gostosa casinha. Mais uma vez Gesu mostrou sua face leão da montanha e abriu uns 15 minutos de vantagem em relação a mim. Ele diz que ajudou muito treinar na subida da Biologia, na Rua do Matão, na USP, a subida que hoje é café pequeno pra gente, de cerca de 1 quilômetro. A receita de verdade para tratorar as subidas ele conta aqui: praticar também spinning, cruzar a Mantiqueira no fim de ano de bike e fazer um pouco de musculação.

Quando eu crescer, quero ser Jesus.

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 9 (4 em SP, 2 Uphill Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

6 Comentários

  1. Avatar
    Rodolfo

    E por essas e outras q o kalu e o principal astro da familia Cunha e Castro

    Responder

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