Correndo pela Z.O.

Paulo Vieira

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Crédito: http://rosemarschick.blogspot.com.br
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Não costumo chamar minhas corridas de treino, como 99,9% (o 0,01% voce já sabe quem é) dos corredores de hoje em dia. Como todo brasileiro adulto nascido nos sessentas, fui educado nas boas maneiras do futebol. Nunca fui boleiro, mas sei cinco ou seis coisas sobre futebol e sua, digamos, mitologia. Há uma frase que diz que jogo é jogo, treino é treino. O que, transportado para a corrida, traz-me um problema: como não tenho objetivos “oficiais”, não tenho maratonas ou meias marcadas, estou sempre correndo, nunca treinando.

Bem, mas isso não vem ao caso.

Minha corrida standard nunca tem menos de 1h20 e, até hoje, nunca mais de 2 horas. O que me faz gastar meu Mizuno amarelo (já falei dele?) por de 15k a, isto não é muito preciso,  22k. Como não tenho muita paciência para dar 18 voltas no parque, faço um mix de itinerários. Costumo sair de casa, nas montanhas da Lapa, já correndo. Então vem um mergulho no Alto de Pinheiros, que ainda não sofre com congestionamentos etc.

O percurso pode incluir umas voltas dentro do Parque Villa-Lobos, especialmente se não for domingo. E então chega a belíssima Praça do Serra, ou dos Enfartados, na verdade Praça Barão Alguma Coisa, que tem um cascalho de 600 metros supostamente vetado para corredores  (mas ninguém liga de a gente correr ali). Aí vem a ponte da Usp e a entrada na gloriosa Cidade Universitária Armando Salles de Oliveira. Nas manhãs de sábado, você deve saber, há uma galera de corredores, preparadores, diversas barracas de isotônicos e até massagistas. Como sou um maverick, nunca estou lá nesse horário para desfrutar das benesses da corrida em excursão.

Meu negócio é pegar aquilo no pôr do sol, vazio, o relógio do obelisco marcando as horas só pra mim e pra rapaziada da Guiné-Bissau ou da Nigéria que vive lá no campus e bate sua bolinha ali em volta. E depois subir a biologia anoitecendo, a passarinhada azucrinando, grande momento. E após pegar a ponte no sentido contrário, o negócio é voltar pra casa passando pela rua Alberto Seabra, que para mim e para minha caçula é a “ruazinha”, onde a gente para o carro quando eu a levo para a escola, um momento que é, desculpem-me folks, mais glorioso que a chegada da Maratona de Amsterdã. Maratona, que eu, aliás, nunca corri.

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 9 (4 em SP, 2 Uphill Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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