A ultramaratonista que não usa planilha, nem tênis. Nem treina, para falar a verdade

Paulo Vieira

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O SEMPRE ATENTO, MUITAS VEZES PILHADO Léo Feltran enviou o link. Ele, o link, abria a página do Netflix num documentário produzido pelo ator Gael García Bernal sobre Lorena Ramírez.

Já falamos dela aqui, a corredora-raiz Lorena. Índia raramuri, ou tarahumara, ela vive nas montanhas das Barrancas del Cobre, onde o México quase encontra o Trumpistão.

Lorena é uma das mais destacadas corredoras de seu povo de corredores. Enfrenta distâncias de 100K em algumas provas que escolhe para disputar. Gosta de ganhar, pois o dinheiro ajuda bastante sua família.

CORRENDO COM OS TARAHUMARAS

TELMA, NÃO SOU TARAHUMARA

DO PERU

MORRER FAZ PARTE DO JOGO NA EXPLORAÇÃO DA NATUREZA

Lorena não usa planilha, não faz intervalados, nem agachamentos. Seus treinos, se a palavra faz sentido, são os deslocamentos que ela e a família têm normalmente de fazer para comprar um vívere ou algum manufaturado. A venda mais próxima está a 40K montanha acima e abaixo.

E depois tem a volta.

Ela também não usa roupas de corrida, preferindo a indumentária típica, com uma longa saia. Tampouco usa tênis,  preterindo-os pelos huaraches – uma sandália artesanal.

No filme, Lorena aparece abrindo um pacote de tênis enviado pela Salomon, mas diz que não irá usá-los, não conseguirá usá-los.

O filme não se preocupa em explicar Lorena nem os raramuris, preferindo mostrar o lindo relevo montanhoso da região onde eles vivem, próprio para as cabras que a família cria.

É uma definição bastante sucinta para o filme, mas  para quem precisa de um incentivo para fazer aquele longuinho do fim de semana, recomendo.

Foto da home: tarahumaras (facebook)

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 9 (4 em SP, 2 Uphill Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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