Especial mara SP City – impressões suadas

Paulo Vieira

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COM A MARATONA DE DOMINGO PASSADO, empilhei nove maras na minha sucinta, mas não por isso menos fetichista coleção. Foi a primeira SP City e, com as três da Notcom/Globo, a quarta no meu quintal, em São Paulo.

ESPECIAL SP CITY – AVALIAÇÃO

ESPECIAL SP CITY – ENTREVISTAS SUADAS

Assim como já havia ocorrido antes, minha preparação para esta mara foi uma não preparação, se tomarmos como tal o cânone dos educadores físicos e líderes de assessorias de corrida do Brasil que propugna quatro meses de treino com esforço crescente até o terceiro mês e ao menos uma corrida longa que poderia chegar a 35K.

Desta vez houve da minha parte o acirramento de uma prática que vem se tornando rotineira. Decidi fazer a mara em cima da hora. Não é força de expressão. Fiz minha inscrição a seis dias do evento.

(O grande problema disso: atrasadinhos como eu pegam o lote mais caro, no meu caso 150 pratas parceladas para o kit minimalista: número de peito-água-banana-medalha).

Mas não reclamo disso: tudo estava bastante claro no site da promotora Iguana desde sempre.

Sobre o treinamento, ou a ausência dele, é claro que não sou um sedentário total. Mantenho uma certa rotina de corridas. Creio que a frequência semanal que dificilmente ultrapassa 45-50K de volume me deixa condicionado para eventos extremos, como correr por quatro horas seguidas.

Longões até houve, mas dentro do meu escopo. Explorando trilhas de praias que eu desconhecia em Ubatuba; fazendo jornadas até a Cantareira por subidas razoáveis e depois correndo de novo no retorno. Mas tudo isso com paradas, sem a preocupação de manter ritmo etc.

E, como sempre, com zero de intervalado, mas com algumas boas sessões de HIIT.

Dito isto, posso dizer que o 3:50 apurado pela cronometragem e informado por mensagem de texto para o meu celular me desapontou um pouco.

Como meu nome ainda não consta nos resultados oficiais, nem tampouco meu bib 2702, ainda espero um ganho (ou perda?) de alguns segundos, se eu for mesmo encontrado.

Sim, tenho essa vã vaidade de ser de novo sub 3:50.

Mas vamos ao que interessa, a corrida.

O sistema de largada por baias segundo o tempo declarado pelos corredores funcionou. Houve aglomeração nos primeiros dois quilômetros da Pacaembu, avenida que só tem um dos sentidos interditados ao trânsito. Tive de correr pela ciclovia do canteiro central, mas nada que tenha inibido o ritmo.

O funil se dá mesmo na rua que dá acesso ao Minhocão, se não me engano a Marta, que é uma leve subida de dois ou três quarteirões. Ali algumas pessoas já começavam a caminhar no meio da muvuca.

A passagem pelo Minhocão é curta, 1K no máximo, metade do trajeto ofertado pela mara de São Paulo da Notcom. Os odores humanos estavam acentuados na rampa de acesso pela qual deixamos o elevado.

Barão de Campinas, Duque de Caxias, Rio Branco e Ipiranga no dois sentidos sem novidade. Um trio de músicos da noite cantava Roberto Carlos (Quero que tudo vá para o inferno) com trejeitos de Sidney Magal, defronte ao bar Brahma na esquina famosa.

Não vi gente pegando atalho para economizar uns 700 metros para o outro lado da Ipiranga, mas que las bruxas hay, hay.

Não tenho memória de como cheguei ao Teatro Municipal e ao Viaduto do Chá – o site da Iguana sugere que deve ter sido pelo largo do Paissandu. Só lembro de achar que já tinha corrido 9K quando vi uma tabuleta indicar o 7K.

Mau presságio.

O quarteto que a Iguana coloca na mara tocando música clássica ao lado do Municipal estava lá de novo. E, como da vez que em corri a meia SP City, há dois anos, quando passei  por ali ouvi outra vez Por una cabeza. Das duas, uma: ou os caras adoram Gardel, e o tocam em looping, ou eu faço sempre o mesmo tempo de corrida.

Nessa passagem pelo Centro, não me surpreenderia se alguém me confirmasse que uma faxina étnica havia ocorrido na véspera. Rio-92 era pinto. Nada da visão do fluxo de craqueiros, apenas alguns carroceiros e um casal tresnoitado curtindo a tigrada. Tigrada, no caso, somos nós.

A tigrada passa pelas ruas do centro higienizado

Na Líbero Badaró, voltei a ficar mesmerizado pelo art-déco da cidade. No caso, do edifício Saldanha Marinho, vizinho à faculdade de Direito. A secretaria de segurança do estado o ocupa – vai vendo.

Se esse tipo de atração turística bacana estivesse na altura da avenida Escola Politécnica, os quatro quilômetros retintos de muro, do 32K ao 36K, talvez o desfecho tivesse sido diferente.

(Continua)

Foto da home: Divulgação

 

 

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 7 (Sp, Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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