O aventureiro Guilherme Cavallari chega com sua bike à Mongólia

Paulo Vieira

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HÁ POUCO MAIS DE UM ANO, QUANDO O CORREDOR DE MONTANHA FRANCÊS radicado no Brasil Gilbert Welterlin morreu no Pico dos Marins, na Mantiqueira, “especialistas” de esportes de aventura ouvidos pela grande mídia/mídia burguesa/PIG, vamos dizer assim, apressaram-se em condenar o defunto.

Welterlin teria transigido uma regra de ouro, que é jamais explorar a natureza sozinho. Com um camarada por perto, aumentariam exponencialmente as chances de conseguir socorro caso desse, como deu, ruim.

Nadando contra a corrente, um especialista ouvido por este pasquim, o brother Guilherme Cavallari, disse:

“Me incomoda a mídia não especializada e pessoas nas redes sociais começarem a argumentar que montanhismo é uma coisa muito perigosa, que só deve ser praticada por profissionais, que a montanha é ‘impiedosa’, ‘só para os fortes’, e que há uma ‘regra de ouro’, a de que não se deve praticar um esporte de aventura sozinho.

Considero-me especialista em esporte de aventura e desconheço essa regra. A atividade solitária pode ser fonte de grande prazer, de desafio, não vejo problema nenhum [em praticá-la solitariamente] desde que se aceite que morrer faz parte do jogo, que se machucar faz parte do jogo.”

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Pois bem, os dados foram novamente lançados para ele – ou melhor, por ele. Depois de pedalar pela Patagônia sozinho por seis meses, caminhar com as botas molhadas no charco das Highlands escocesas – aventuras que viraram livros e filmes, veja nos links abaixo – ele está na lida de novo.

E, claro, sozinho, só ele e Deus. Ou melhor, sem nem mesmo Ele, agnóstico ou ateu que é.

TRANSPATAGÔNIA, O LIVRO

TRANSPATAGÔNIA, O FILME

HIGHLANDS, O LIVRO

HIGHLANDS, O FILME

GUILHERME CAVALLARI: “MORRER FAZ PARTE DO JOGO”

AS RAZÕES DA MONGÓLIA

Neste exato momento, Guimas se encontra no extremo oeste da Mongólia, país para onde levou sua bike desmontada a fim de cruzar as vastidões do deserto de Gobi, o deserto de areia mais frio do planeta, como ele mesmo escreveu.

O deserto de Gobi visto da janela do ônibus

Por que diabos alguém se arriscaria num lugar de dificuldades enormes de hidratação, barreiras linguísticas e culturais, além de campo aberto para doenças como peste bubônica e antrax, ele já respondeu adrede neste mesmo pasquim:

“Marco Polo”.

Além disso, ele quer ver in loco uma particularidade planetária da Mongólia, o nomadismo – um terço da população é nômade –, antes que ela acabe. “O país está mudando, enriquecendo economicamente por conta da exploração mineral, há hoje muitos estrangeiros lá, e é possível que o nomadismo acabe.”

Ao contrário das outras viagens, Guimas agora tornou-se mais ativo nas redes sociais, abrindo aos leitores, pode-se dizer, parte de seus “diários de viagem” – material que viram depois os livros e filmes citados.

Eis o que ele escreveu há pouco:

“Consegui embarcar em Ulaanbaatar (capital mongol) com minha bike num ônibus até Õlgiy, no extremo oeste da Mongólia. Dizer que não foi fácil seria pleonasmo. Foi difícil pacas!

No final a bike foi amarrada no teto do bumba e minhas tralhas espalhadas em todos os compartimentos possíveis. As rodas viajaram junto com o motor!

Foram 35 horas que pareceram infinitas. Três motoristas se revezavam ao volante para cruzarmos todo o Deserto de Gobi. As paradas para ir ao banheiro eram no meio do nada, sem nem mesmo uma moita para as mulheres se esconderem. Nenhum mongol parece se incomodar com isso.

Também resolvi a história do visto, posso ficar 90 dias legalmente no país. Agora é resolver uns detalhes finais, especialmente entender como cruzar um trecho de 300K de deserto onde a pouca água que existe está em grandes lagos salobres… Se eu sobreviver a isso todo o resto será bem mais fácil.”

O verbo “sobreviver” não é exatamente força de expressão. Embora tenha pesquisado na internet sobre a localização das fontes  de água no deserto, ele não chegou ao país tão seguro de onde encontrá-las.

Toda a viagem pode ser conhecida e acompanhada no blog que ele mantém no site de sua editora, a Kalapalo.

 

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 7 (Sp, Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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