O novo percurso da mara do Rio – deboas e perrengues

Paulo Vieira

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DOMINGO TEM MARATONA DO RIO, os (ainda) mais celebrados 42K do Brasil, apesar da sempre quente temperatura carioca, indiferente à suposta existência de algo que se convencionou chamar de inverno.

(Climatempo para o domingo: mínima de 23, máxima de 32 graus. Segura.)

Há razões para que a mara do Rio seja a maratona brasileira que mais tenha concluintes – o dobro das de São Paulo, que completam o Top 3. No Rio há a tradição (duas décadas e meia de mara), o visu da Cité Maravillé e o investimento das marcas patrocinadoras, que entendem a prova como real oportunidade de negócio.

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Por conta dos problemas com obras na avenida Niemeyer, em 2019 houve uma mudança radical de percurso, que limou mais de metade do itinerário original, toda a parte de São Conrado ao Recreio, os primeiros 25K da antiga mara.

Assim, involuntariamente, foi eliminado um dos grandes problemas do evento, o acesso ao pórtico de largada, no Recreio. Com o metrô carioca iniciando os trabalhos no domingo às 7h, chegar ali era sempre um Deus-nos-acuda.

Por outro lado, chegar ao Aterro antes das 5h30, no horário modificado da mara de 2019, vai custar uma ninharia no Uber.

Como é tradição deste pasquim, comentamos aqui as deboas e os perrengues do novo itinerário da mara do Rio.

DEBOAS

1K a 5K – Com o novo pórtico de largada no Aterro, a primeira seção da mara é pura ostentação urbanística, com marina da Glória e aeroporto Santos Dumont no cenário. E espaço suficiente para os mais rápidos ultrapassarem aqueles de pace paquerista.

6K a 10K – Segue o namoro com o visual da Cité Maravillé, agora com o toque Brasil Olímpico-Sérgio Cabral-Odebrecht em tela. Museu do Amanhã, VLT, Museu do Rio etc. entram na dança.

15K a 20K – Pouco antes de completar a marca da meia, a volta pelo Aterro em direção à Zona Sul ainda é algo de que só os chatos profissionais encontrarão motivos para reclamar.

21K  – A marca da meia vem no túnel novo de Botafogo para Copacabana, de menos de 500 metros, fichinha numa cidade de túneis quilométricos.

22K a 29K – Ouro sobre azul. A visão da beira-mar da Zona Sul do Rio inteira, de Copacabana ao Leblon, é o momento em que o cabra considera pela enésima vez se mudar lock, stock and barrels para o Rio.

Ali se concentra também a maior parte dos espectadores, que dão (ou não) aquele suporte psicológico na hora em que chegar aos 42K parece uma impossibilidade lógica.

40K a 41K – O Pão de Açúcar jamais sai do quadro, o que dá a estranha sensação ao maratonista de que ele está voltando para trás no percurso. Releve – falta só 1K…

… e aqueles sinistros 200 metros.

PERRENGUES

6K a 7,5K – Um leitor escreveu para mencionar a entrada no túnel Rio 450 anos, provavelmente já no 6K. “É bastante inclinado na entrada e na saída.”

7,5K a 9K – A área portuária contígua ao Centro Histórico não ganhou novos inquilinos e se tornou uma espécie de zona fantasma, o que não muda muito a vida dos maratonistas, mas torna este pequeno trecho nada arborizado o menos atraente da mara do Rio.

32K a 34K – A ligação entre Ipanema e Copacabana pela via principal, evitando a beira-mar do Arpoador, é conhecida pelos corredores cariocas como Faixa de Gaza em virtude do “body count” de corredores que, sofrendo com o muro dos 32-35K, parecem ter pisado em minas terrestres ou coisa que o valha. Perseverar é preciso.

36K a 38K – Quando tudo o que se quer é atravessar o mesmo túnel da vinda para chegar logo a Botafogo, a ideia de fazer turismo em slow motion pelo Leme não parece ser uma ideia razoável.

Foto da home: Mteixeira62/Wikimedia

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 9 (4 em SP, 2 Uphill Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

5 Comentários

  1. Ribamar Souza

    Da para ver que o texto é escrito por um “paulixta” que mal conhece o Rio. Chamar um lugar de Faixa de Gaza no Rio é local de tiroteio intenso a qualquer momento do dia ou da noite e nesse local que citou, não é área disso.

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    • Paulo Vieira
      Paulo Vieira

      Errado, Ribamar. Faixa de Gaza é o nome que maratonistas cariocas dão à região pelo fato de ali haver muitos abandonos. Absolutamente nada a ver com violência policial ou criminal.

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  2. Felipe Lins

    Excelente narrativa… um abraço aos Mimizentos de Plantão; e pra fechar, nos vemos na CHEGADA. #42 K

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  3. Roberto

    Nos perrengues, faltou comentar o túnel Rio 450, com 1,5 km. É bastante inclinado na entrada e na saída.

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    • Paulo Vieira
      Paulo Vieira

      Obrigado, Roberto. Já estou adicionando ao texto. Você sabe se o túnel é usado apenas na ida em direção à Rodoviária ou também na volta para o Aterro?

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