Aulus Sellmer e o custo cardíaco da maratona

Paulo Vieira

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CORRER É ATIVIDADE FÍSICA MAIS INTUITIVA que existe, mas os educadores físicos não se cansam de encontrar novos parâmetros de treinamento.

O que é, sem tirar nem por, um paradoxo. Junto com a nutrição, a educação física parece ser o campo onde a verdade científica de hoje é o anátema de amanhã.

Ou seja: seu intervalado é o ovo da galinha. Hoje tá liberado, amanhã não sei não.

Exagero um pouquinho, como sói acontecer, mas é assim.

Foi muito interessante, a esse propósito, a entrevista feita por este pasquim há uma carinha com Mario Sérgio Silva, o Sr. Run & Fun, que contou quais eram as crenças daqueles românticos anos 1990 em que as primeiras assessorias esportivas de corrida, como a Run & Fun, começaram a atuar.

Marião falou que seguia o LSD (de “long slow distance”). O que valia era rodar muito, em velocidade baixa. Os volumes de corrida semanais batiam fácil nos 100, 150K.

Outro pioneiro da época é Aullus Sellmer, da 4any1. Em 1993 ele colocou no mercado, junto com um colega da USP, a BPM.

Ele também acreditava no volume. “Eu chegava a correr 200K por semana”, disse ao JQC na sede da 4any1, próxima ao parque Ibirapuera.

Mas LSD não era sua bússola. “Também fazia treino intervalado”.

Hoje Aullus está muito interessado nos protocolos de treinamento do IHP, o instituto voltado para performance da Flórida que aqui é licenciado pela academia Competition.

Segundo ele, para os treinadores capacitados por esses caras, o sujeito que quiser correr uma maratona não precisa mais fazer um longão de 32K. Basta 20K, desde que se dedique antes a uma rotina de agachamentos um tanto exigente.

Tipo 800 agachamentos antes de atacar 20K de cascalho.

Sellmer não parou no tempo. Procura sempre se atualizar, fazendo cursos constantes e mantendo-se em contato constante com a Escola de Educação Física da USP, onde ele se formou.

Perguntei a ele que procedimentos ele mudou, ou até deixou de adotar, com o que vem ouvindo.

Ele me disse que além do alongamento prévio à corrida, algo que muitos outros treinadores também já “derrubaram”, Sellmer citou a desqualificação do suplemento BCAA, que ele irá “deixar de recomendar”.

Também apontou os treinos de força e salto como possíveis substitutos pra os muitos tiros do treino intervalado.

Por fim, contradisse uma hipótese que o editor deste pasquim gostaria que tivesse fundamento científico: a de que há menos custo cardíaco para o maratonista que corre no pace paz&amor do que para aquele que solta a cavalaria no 10K ou no 15K.

Uma palhinha da nossa conversa no vídeo embebido abaixo.

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 9 (4 em SP, 2 Uphill Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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