Um novo gás para as corridas de rua

Paulo Vieira

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UMA NOVA ERA PARA AS CORRIDAS DE RUA NO BRASIL? A julgar pelo que disseram em entrevista coletiva Marcos Lutz, CEO da Cosan, e o publicitário Nizan Guanaes, ele mesmo maratonista, talvez.

A Cosan decidiu fazer da corrida de rua o centro de sua primeira grande campanha institucional. Ela quer comunicar sua própria existência e as das marcas que estão sob seu guarda-chuva (como a Comgás e a Raizen, dos postos Shell) por meio desse esporte.

Com o slogan “Eu sonho e corro atrás”, o conglomerado de Rubens Ometto está para colocar cinco filmes em que atores correm nas ruas de São Paulo nas TVs aberta e fechada. Mais importante, fechou acordo de patrocínio até 2021 com três dos maiores organizadores de corridas do Brasil.

A saber, Yescom/Globo, Iguana e circuito TF Run Series.

Boa parte do acervo de provas brasileiras dessas empresas – SP City, circuito Athenas, mara de São Paulo, Volta da Pampulha e São Silvestre, para ser sucinto – receberão um pixo da Cosan.

Para Paulo Carelli, sócio-fundador da Iguana, a entrada da Cosan como “title sponsor” de suas corridas é “superpositiva”. “Na atual situação do mercado eles entram fazendo a diferença”, disse por telefone ao JQC, revelando também que a negociação foi muito rápida, em torno de quatro meses entre a primeira conversa e a assinatura do acordo.

Mas não chega a ser uma panaceia, já que a Cosan, no caso da Iguana, supre neste momento a ausência da Caixa, que se retirou dos patrocínios esportivos – a instituição bancava as dez provas do Circuito da Cidadania, organizada pela empresa de Carelli para a prefeitura de São Paulo.

Ajuda a suprir também a queda na receita de inscrições, que, segundo Carelli, responde por 70% do faturamento de suas provas.

“O dinheiro da Cosan não chega a criar uma ‘gordura’, pois houve muita retração nas inscrições de provas, especialmente as do Rio de Janeiro.”

Na coletiva, Lutz recusou revelar os valores de investimento da campanha, tanto nos patrocínios das corridas como na produção dos filmes.

O editor deste pasquim perguntou ao executivo se a Cosan pretendia atrelar alguma meta de qualidade às corridas que irá patrocinar, dado que muitas delas – as da Yescom, seguramente – têm uma infinidade de problemas que parecem a cada ano mais distantes de ser solucionados.

Lutz disse que a empresa está começando a conhecer esse segmento, e não tem tal pretensão. Em outro momento da coletiva, Nizan Guanaes disse que a ativação das marcas nos eventos de corrida no Brasil é “amadora”, muito diferentemente de Nova York, onde a mara, segundo ele, “é um show de ponta a ponta”.

É de esperar que doravante a relação entre marcas e corridas de rua brasileiras torne-se um pouco mais profissional.

Assessorias esportivas não estão no escopo de patrocínio da Cosan, mas alguns corredores, sim, como a atleta  bicampeã panamericana da maratona Adriana Aparecida da Silva, que também discursou no evento.

Foto da home: Circuito Athenas, da Iguana (foto: divulgação)

 

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 7 (Sp, Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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