A insuspeita veia cômica de Eliud Kipchoge, o novo recordista da maratona

Paulo Vieira

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A QUEBRA DO RECORDE DA MARATONA FOI PREVISTA por diversos analistas de corrida, como o Lauter Nogueira, do sistema Globo. E eles estavam certos. Dá para dizer que desta vez o índice de acerto ficou acima do índice Mãe Dinah para o novo campeão brasileiro no Avallone.

A quebra, claro, podia não sair, como não saía desde 2014. Mas o queniano Eliude Kipchoge, que já havia quase implodido a meta superhumana dos sub2 na prova interna da Nike em Monza, não só bateu o recorde de 2:02:57 do compratriota Dennis Kimetto.

Ele o pulverizou, fazendo 2:01:39.

Split negativo. O atleta foi 33 segundos mais rápido na segunda metade da prova.

A marca foi celebrada efusivamente pelo queniano no pórtico de chegada, algo que sua timidez e seu cavalheirismo exacerbados normalmente o confrangem a fazer.

Quebra de decoro/Foto: Facebook Eliud Kipchoge

Na coletiva, Kipchoge mostrou ainda insuspeita veia cômica. Disse: “Já corri 2:03, 2:00, e hoje 2:01, então devo correr a próxima em 2:02.”

E depois, mais parabolicamente: “A gente diz no Quênia ‘nunca vá atrás de dois coelhos‘. Meu coelho era o recorde mundial em Berlim. Mas com certeza eu pretendo voltar aqui [para defender o recorde] e, claro, quero defender meu título olímpico.” [conquistado no Brasil; em Tóquio, em 2020, já estará com 35 anos.]

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A Runner’s World gringa, que me serve de fonte primária aqui, também apontou algumas marcas extraordinárias de Kipchoge ontem:

– Quebra de recorde por margem tão grande não acontecia havia 50 anos;

– Da marca dos 40K até o fim da prova, seus 6min08seg não tem paralelo em nenhuma major conhecida;

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Deixando o Kipchoge um pouco de lado, vale ainda comentar que o Japão colocou três atletas no Top10 masculino – Shogo Nakamura foi o quarto, com 2:08:16.

Os caras vão voar em Tóquio.

O Brasil cravou o 11º e o 12º lugares com Wellington da Silva e Vagner Noronha, respectivamente.

E o parça Vicent Sobrinho, agora radicado em terras lusitanas, cravou em Berlim 2:59. Desde que ultrapassou o novo Cabo das Tormentas, ou seja, chegou aos 50 anos, é sua quinta maratona sub3.

Vicent completa 53 anos amanhã e já deve estar sorrindo de orelha a orelha.

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 9 (4 em SP, 2 Uphill Rio do Rastro, Rio, UDI e uma na Nova Zelândia), com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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