Não corra em nome de Jesus, faça algo pelo próximo em nome dele

Paulo Vieira

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A CENA ACONTECEU SÁBADO, mas acontece o tempo todo, em todo lugar. Dois sujeitos correm pela amável e estreita trilha do bosque da Física da USP quando subitamente interrompem o cascalho para um selfie “em nome de Jesus”.

Era uma corrida, um treino, quem sabe um 5K ou um 7K, “para Jesus”.

Todo mundo que já disputou uma prova, ou indo mais longe, que correu em algum lugar, alguma vez na vida, já deve ter visto alguém que diz correr em nome de Jesus.

Não sei quando essa associação entre a corrida e o Deus-feito-homem começou, mas gostaria de dar um pitaco: se ela, a associação, tem a ver com sacrifício pessoal, os corredores de Jesus não poderiam estar mais enganados.

Porque corrida não é sacrifício, é prazer.

PRIMADO DO PRAZER

CORRIDA NÃO É SACRIFÍCIO, É PRAZER

CORRIDA NÃO É GUERRA

GESU BAMBINO: MINHA HISTÓRIA

O JUIZ VOADOR E AS CRIANÇAS QUE ELE AJUDA A ENCONTRAR UM LAR

Você, digamos, iria ao cinema em nome de Jesus? (Ver a cinebiografia do Maiscedo não vale).

Iria ao futebol em nome de Jesus? Tomaria um refrigerante com os amigos em nome de Jesus? Fornicaria em nome de Jesus?

Pois é disso que se trata. Corrida não é sacrifício nem para o vencedor da maratona de Boston, o japonês Yuki Kawauchi, que coroou ontem sua carreira de corredor amador profissional (ele trabalha oito horas por dia), com todos os sacrifícios físicos que isso representa, porque quis.

Ênfase, como se diz hoje, no porque quis.

Quer fazer um sacrifício de verdade para Jesus? Aqui vão algumas ideias e contatos.

Participe da corrida do GRAACC, em maio, que destina 100% do valor da inscrição para o atendimento das crianças e adolescentes com câncer. Eles custam 120 milhões de reais por ano ao hospital.

Ajude o Bruno Capão a realizar os projetos sociais que ele e outros companheiros tocam no Capão Redondo por meio da instituição Lado B do Capão.

Colabore com o Arsenal da Esperança, instituição nascida na Itália que acolhe e atende cerca de 1200 moradores de rua na região da Mooca, em Sampa. É possível fazer doação ou pegar no pesado. O site está no link acima, aqui vão ainda o telefone – (11) 2292-0977 – e o e-mail: arsenaldaesperanca@sermig.org.br

Ajude o Lar da Infância de Nice, na Vila Carrão, que abriga crianças e adolescentes enquanto não são adotados – e, como se sabe, muitos não o são. São 300 atendimentos em diversos projetos sociais.

Para finalizar, uma passagem do Evangelho de são João, para inspirar: “Aquele que crê em mim fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas.”

Foto da homepage: William Dafoe em A Última tentação de Cristo

 

 

 

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 6, com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

Um Comentários

  1. Antonio Bellas

    Provavelmente seu post mais inspirado…..
    Sempre achei que o esforço cristão estivesse condicionado a perpetução do que chamam de obra.
    O resto eh puro marketing pessoal…..
    sinto que tenho um irmão gemeo em SP
    Abcs
    Ps- Espera que vem comentarios menos elogiosos, eu, pelo menos, estou muito acostumado….

    Responder

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