Saia da rotina do longão

Paulo Vieira

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SÁBADO É DIA DE LONGÃO, E VOCÊ JÁ começou a bocejar só de pensar nas três, quatro, cinco voltas que irá dar amanhã pela enésima vez no campus da USP ou na orla — tudo isso tendo de desviar de bicicletas e dos ambulantes.

Muito bem, seus problemas acabaram. A rotina tem neste pasquim sua nêmesis (ou seria o contrário?), e portanto aqui vão algumas sugestões para sair fora da programação normal sem deixar de rodar os 15, 20, 30K regulamentares do sabadão.


SÃO PAULO

MORUMBA. Como sabem os gatos evaporados que me acompanham, tenho predileção pela Z.O., não só porque vivo nela, mas por suas longas seções arborizadas.

Partindo do Alto de Pinheiros, uma ideia para misturar áreas mais planas e subidas é cruzar o rio Pinheiros, dar tchau para o Butantã e ganhar o Morumbi tendo como objetivo os maravilhosos jardins e a enorme reserva de Mata Atlântica da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano.

A linda instituição só franqueia seus portões à tigrada aos sábados, olha só. O ingresso nos outros dias é R$ 10.

A Fundação Maria Luisa e Oscar Americano

Partindo do parque Villa-Lobos, o trajeto tem cerca de 11K, mas você pode incrementá-lo com uma volta pelo Vibra-Bollos mesmo, que não é populoso nas manhãs de sábado, ou com uma entradinha na USP.

Melhor ainda, curta uma subida em meio à mata do Alfredo Volpi, já perto do objetivo.

A Fundação tem bebedouro perto da área de estacionamento e um café da manhã com vista para os jardins. Mas andar praticamente sozinho em meio àquela imensidão de sibipirunas, angicos e paus de toda espécie é que vale o programa. Importante: ela só abre às 10h. Veja mais sobre ela no link abaixo.

Na vola, escolha um caminho diferente. Você pega a bonita praça Vinicius de Morais em descida se sair da Fundação rumo estádio do Morumbi.

TROQUE A USP PELO MORUMBI NESTE SÁBADO

PIRAMBA São Paulo é uma cidade tão grande que se permite ser pequena, paroquial mesmo, para muitos dos seus moradores, que dificilmente deixam o beaten track dos bairros em que vivem ou trabalham.  Por isso não é de admirar que muitos paulistanos jamais tenham pisado na Pedra Grande, atração-mor de uma das seções do parque da Cantareira.

A reserva no meio da Serra tem acesso pela rua do Horto, 1799. Mas não pelo Horto Florestal propriamente dito, que fica um pouquinho mais ao sul. No Núclo Pedra Grande há uma trilha de 3,3K com dramático ganho altimétrico até o topo da Pedra Grande, de onde se tem a vista da florada de prédios de São Paulo.

Problema: para entrar ali, você precisa deixar 14 pratas (grátis para crianças até 11 anos e parças com mais de 60). E só funciona mesmo aos fins de semana e feriados.

E já que estamos falando de subida, que tal dar uma chegadinha no Piko?

NO PIKO DO JARAGUÁ, O CASCALHO MAIS PROUSTIANO DA MINHA VIDA


RIO DE JAN EIRO

Seguimos subindo. Em qualquer ponto da orla, alcance o Botafogo e pertinho da Espaço Itaú de cinema entre para dentro do bairro pela Marquês de Olinda. Na esquina da Marquês com a Assunção já reserve o polvo cm arroz de brócoli do notável espanhol Manolo para a volta.

Dali mesmo começa a subida de 2K da rua Mundo Novo, via de paralelepípedos cheia de oitis e goaibeiras que conecta o bairro com Laranjeiras. A partir daí a meta é o Cristo Redentor ou, um pouquinho antes, o deslumbrante Mirante Dona Marta. Veja no link abaixo.

DO BOTAFOGO AO CRISTO

DA BARRA AO CRISTO 

A CORRIDA DA PEDRA BONITA

Sua cidade não está aqui? Manda seu roteiro per noi!

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 6, com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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