O teste do (novo) sistema de compartilhamento de bikes públicas de SP

Paulo Vieira

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ERAM CERCA DE TREZENTAS estações de compartilhamento de bicicletas do sistema laranja em São Paulo. A distribuição dessas estações pela cidade era desigual, sem Zona Norte nem periferia — nada que infelizmente nos surpreenda.

O empréstimo era gratuito na primeira hora e, acima disso, R$ 5 por hora. Pois bem, o contrato expirou, ou foi expirado, e agora o sistema voltou com novidades.

Os principais: o fim da gratuidade, com cobrança de assinaturas mensal e anual ou de taxas para uso por dia; e a diminuição radical do número de estações, que atualmente são 25; a bicicleta também ganhou um farol, excelente providência para deslocamentos noturnos, e ficou mais parruda, certamente para resistir às intempéries.

Laranjinhas do novo modelo no largo da Batata/Paulo Vieira

Como fizemos em maio de 2014, na primeira dentição deste pasquim, post que  você lê ou relê no link abaixo, voltamos a avaliar o serviço em Essepê, desta vez só do sistema laranja.

O sistema vermelho, que tem outro banco como patrocinador, não entra aqui porque, como aquele velho político, desde 2014 joga parado, sem crescimento (nem diminuição) de estações, nem qualquer outra novidade.

O TESTE DO SISTEMA DE COMPARTILHAMENTO DE BIKES DE SAMPA

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REDE

Já foi dez vezes maior, mas há a promessa de que volte a crescer. Não é de bom tom se fiar na palavra de gestores públicos em geral e nos de São Paulo em particular, especialmente aqueles que lavram documentos em cartório, mas diversas estruturas antigas ainda permanecem pela cidade.

O busílis é que TODAS as 25 estações estão ao largo da ciclovia da Faria Lima, com o requinte de haver uma concentração desproporcional no Itaim-Bibi. Se eu morasse ou trabalhasse no Tatuapé, ficaria bem velhaco com isso.

Usei um eufemismo.

Para quem pretende dar um rolê de bike e curtir um lazer no Ibirapuera, a distância entre a estação mais próxima, na esquina da Bandeira Paulista com o hospital São Luiz, e o portão 7 do parque, na República do Líbano, é de 1,8K.

BICICLETAS

Estão visivelmente mais parrudas e ganharam um acessório relevante, um farol. Mas seguem um trambolho para quem é acostumado a pedalar com uma bicicleta de, digamos 21 marchas, o que já é bastante abaixo do padrão normal.

As laranjinhas têm apenas três marchas, o que não seria um problema se o curso da pedalada não fosse tão curto. Mas a terceira marcha já pede a (ausente) quarta, e, pior, a bike começa a estalar quando tentamos acelerá-la.

Subida? Melhor não tentar.

ACESSIBILIDADE

Houve ganho inequívoco com a possibilidade de se utilizar o cartão de crédito direto na boca do caixa, digo, na estação. Rola também bilhete único, mas eu jamais consegui cadastrá-lo no site do Sistema.

Mais complicado, pelo menos na primeira utilização, é usar o app. Ele gera um código de cinco dígitos, um arranjo combinatório dos algarismos 1, 2 e 3. É preciso inseri-lo por meio de botões com esses algarismos num painel ao lado da bike escolhida.

Mas isso é tudo intuitivo. Valeria ter instruções de retirada impressas em algum ponto da estação.

Pior de tudo é digitar no mapa do app a estação onde se retira a bike, e a proximidade delas no celular pode levar a uma confusão. Eu peguei a minha bike numa das estações do largo da Batata, mas cliquei na vizinha — ao gerar o código, ele nunca servia para onde eu estava. Demorei uma carinha para me entender com o troço, mas havia ali um funcionário de plantão que me ajudou.

E a treta, como você imaginar, não funciona offline.

PIXO

Acessível, mas não mais de graça. O plano diário custa R$ 8 e dá direito a utilizar a bike dia e noite, desde que a cada hora você a troque por outra e espere 15 minutos para recomeçar. Do contrário pagará R$ 5 a cada hora utilizada.

Há o plano para 3 dias por R$ 15 com a mesma política dos 15 minutos e do R$ 5 por hora extra.

Já as assinaturas só podem ser adquiridas pelo app ou pelo site. A mensal custa R$ 20 e a anual, R$ 160. Ambas seguem a política da troca a cada 15 minutos.

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 6, com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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