Corrida serve para quê?

Paulo Vieira

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CORRIDA SERVE PARA QUÊ? Para nos deixar com mais saúde, mais disposição, mais força? Para controle do peso?

Para injetar bom humor em nossas vidas?

Muito provavelmente todas as respostas são verdadeiras.

Mas corrida serve também para fazê-lo se deslocar do ponto A para o ponto B, de lá para o C etc. Muita gente não se dá conta disso pois prefere, com razão, não disputar espaço com carros e ônibus nas ruas e fica a dar voltas pelos parques.

Coisa agradabilíssima que eu também faço, mormente num parque com um cascalho de 4K de baixíssima densidade demográfica, o Vibra-Bollos, em Sampa.

A tigrada, e é isso o que eu quero dizer, esquece completamente uma função importante e interessante da corrida, a mobilidade. A corrida é um “modal” tanto quanto o carro, o metrô, a bicicleta, o ônibus.

É verdade que, ao chegar ao ponto B, um chuveiro e uma camiseta limpa se fazem imperiosos por amor do convívio social.

Marcos Viana Pinguim, veterano fotógrafo de corrida, o homem que cunhou a expressão “corrida-transporte”, é o grande propagador da corrida como modal e já esteve por estes pixels a explicar a parada, como você pode ver – ou rever – no link abaixo.

A CORRIDA-TRANSPORTE DE PINGUIM

POR QUE VOCÊ CORRE?

O PRIMADO DO PRAZER

A CORRIDA COMO SEU PRÓPRIO ÔNIBUS DE TURISMO

Numa conversa recente com o editor deste pasquim, Pinguim revelou vontade de abrir cursos de “corrida-escola”. Sabe-se que, diferentemente do motorista, não é exigida habilitação do corredor, mas há diversos macetes e regras de conduta que vale conhecer.

Usei a corrida-transporte ontem, ao voltar da épica classificação da Portuguesa de Desportos para a quarta fase da Copinha. Por três vezes o match point, digamos assim, esteve com o adversário.

O trajeto entre o Pari e a ZO sempre me pareceu maior que os 11K que o Google Maps contabilizou ontem, na corrida de retorno do estádio.

Pode ter sido a impressão errônea de sempre ir e vir de lá de metrô – são três linhas diferentes e duas correspondências consideráveis.

Quando me dei conta na corrida de ontem, iniciada ainda nos headquarters da Burra, já vencia a estação Ponte Pequena, logo mais a Luz; súbito, a Florêncio de Abreu já trazia a promessa de, 700 metros adiante, me entregar o mosteiro de São Bento.

Movimento zero na São Bento, exceto pelos sem-teto que, às 6 e meia da tarde, horário de verão, procuravam garantir os melhores alpendres para vencer mais uma noite.

O calçadão logo deu lugar ao viaduto do Chá, este à praça da República, à São João e à alça de acesso ao Minhocão.

Dois palitos e alguns morros mirins de Perdizes já eram transpostos para o epílogo na Sumaré-Paulo VI.

Não marquei o horário de saída, mas suponho que o cascalho tenha durado 1 hora, no más.

O tempo que eu levaria se fosse de metrô.

Pinguim é um visionário, e a obstinação do visionário normalmente é confundida com caprichos tolos ou desvios de conduta.

Ontem tive a convicção de que seus esforços na divulgação dessa finalidade de corrida merecem ser amplamente conhecidos.

Uma faixa para corredores ajudaria a minorar os problemas de trânsito, quero crer. Há muita gente que fala em abandonar o carro, mas teme encarar o pedal. Talvez a corrida possa ser uma solução.

Mas é preciso vencer o vício mesmo entre os corredores. Pois há, e somos muitos, os que chegam ao cascalho de carro.

Dizemos que vamos treinar.

 

 

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Paulo Vieira

Paulo Vieira corre pelas ruas de São Paulo desde os 15 anos e pelo mundo desde os 32, quando passou uma temporada em Londres. Adora correr em estradas rurais, descobrir novos caminhos e ir e voltar do Pico do Jaraguá. Mas agora anda frequentando também treinos no Parque Villa-Lobos às 7 da manhã com seu tênis minimalista - desde que a Lusa não jogue na véspera.

3 Comentários

  1. Ralph

    Por mais vestiários públicos nas grandes cidades.

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  2. Marcos Viana Pinguim

    Prezado Paulo Viera!!!

    Antes de tudo quero lhe desejar um Feliz 2018 (sei que estamos no fim de janeiro, mas os 11 meses restantes ainda velem a saudação). Mais um vez quero lhe agradecer por ter lembrado de mim num tema tão importante e ao mesmo tempo tão esquecido e muito pouco divulgado aqui no Brasil, é realmente surreal ver 30 mil pessoas se acotovelando na Avenida Paulista no fim do ano para correr 15 km e saber que 99,9% delas quase sempre vão de carro até a padaria, academia ou parque que se localiza a menos de 2 km da própria residência. Pensar um pouco menos na cultura americana de corridas (Maratonas da Disney, Chicago e Nova York) e um pouco mais de cultura mexicana de corridas (Povo Tarahumara) pode ajudar!!! Um grande abraço!!!

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    • Paulo Vieira

      Você é o cara, Pinguim, quando eu falar de corrida e mobilidade aqui, serás sempre a referência

      Responder

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