O retrocesso da política viária de São Paulo

Paulo Vieira

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EM MENOS DE UM ANO DE jestão, jestor conseguiu adicionar zero metro à malha cicloviária paulistana. O número poderia ser negativo se considerado o esforço nulo de manutenção dos 400K instalados pelo prefeito anterior.

Assim, jestor ajudou a piorar a mobilidade na cidade que administra e, destarte, a qualidade do ar. Segundo dados normalmente aceitos, carros são responsáveis por 90% da poluição atmosférica da cidade.

Um estudo divulgado este ano pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) mostrou também que os automóveis particulares contribuem com 30% dos deslocamentos pela pauliceia, mas produzem 72,6% dos gases de efeito estufa.

Parece-me razão mais do que suficiente para inibir o uso do automóvel, mas aqui prefere-se poluir mais.

Jestor recentemente sancionou a lei 16 738/2017, que altera lei do ano passado que dispõe sobre as condições de implantação de ciclovias. O principal ponto da nova lei é a necessidade de realização de estudos de demanda que justifiquem a presença da ciclovia.

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Difícil imaginar que um lugar carente de ciclovia que hoje tem trânsito pesado possui ciclistas suicidas em bom número para mostrar que há demanda para a bicicleta.

Seria tautológico se não fosse trágico: quantos atropelamentos e mortes seriam necessários para justificar a demanda?

O pessoal do site Vadebike.org deu o nome certo a esse descalabro legal: lei anticiclovia.

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Enquanto isso, as cerca de 300 estações de compartilhamento de bicicletas mantidas pelo banco Itaú estão quase completamente desativadas, à espera da definição do novo fornecedor do serviço.

Quem usava o sistema e assim ajudava a poupar os pulmões dos paulistanos agora só pode se fiar nas modestíssimas 16 estações do sistema vermelho, do Bradesco.

Parabéns aos envolvidos.

 

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 6, com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

Um Comentários

  1. walter tabax

    seria gestor, se fosse. Mas como não é nem um nem outro, pode manter o jestor. Tem mais jesto que gesto.

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