O professor que vai pra galera

Paulo Vieira

NÃO ESTÁ ESCRITO EM NENHUM CONTRATO de prestação de serviços das assessorias de corrida que o sócio majoritário, o comandante-em-chefe, aquela figura que é chave na decisão de você escolher esta e não aquela empresa, deverá correr com o cliente o 10K, a meia, a maratona, a ultra.

Não só não está escrito como você nunca verá esse camarada correndo. Mais fácil encontrar bacalhau com cabeça ou ir a uma feira livre numa segunda-feira.

Como sói acontecer, a regra tem uma exceção: José Carlos Fernando, o professor Zeca, da ZTrack.

A empresa, uma das pioneiras do ramo, surgiu num longínquo 1994 como Clínica Paulista de Performance Esportiva para em 1999 assumir o nome-fantasia atual.

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Pois seu comandante correu em junho a Comrades, a famosa prova de 89K da África do Sul, algo que ele já havia feito uma vez, justamente em 1999. No mês passado, Zeca, hoje aos 51 anos, e um colega de 65 completaram a mítica prova em nove horas e fumaça, seguindo escrupulosamente uma planilha de ritmo desenhada pelo Zeca.  

O editor deste pasquim esteve na sede da ZTrack, no Paraíso, para a conversa cujas passagens principais seguem abaixo.

A EMPRESA

São hoje 16 treinadores para 1500 alunos, metade deles provenientes de empresas  como Totvs e Natura – a divisão corporativa funciona bem na ZTrack. No começo, a Clínica Paulista de Performance Esportiva tinha o objetivo cristalino de fazer seus clientes perder peso sem auxílio de medicamentos. 

Um professor que vai pra galera/Foto: Arquivo Pessoal
Um professor que vai pra galera/Foto: Arquivo Pessoal

Pouco depois, com a atividade aeróbica (caminhada, ginástica localizada, corrida moderada) cumprindo o objetivo, os antes “gordinhos”, como diz Zeca, começaram a se incomodar em usar uma camiseta com o nome “clínica”. Nascia a ZTrack.

PROFESSOR CORREDOR

Zeca se diz “muito ativo” e gosta de participar das provas para “tirar aprendizados”: detalhes do percurso, como conseguir otimizar o desempenho dos alunos etc. “Sou um facilitador”, diz. Ele faz duas maratonas por ano – em 2015, quando completou 50 anos, fez três.

Sua primeira mara foi em Nova York, em 1995.  Este ano, além dos 89K da Comrades, corre os 42K de Lisboa. Quer fazer as seis etapas da majors, e a de Tóquio, uma das maras que faltam, já está programada para 2019. No Brasil, para os maratonistas iniciantes, ele recomenda apenas o Rio e Porto Alegre.

O MÉTODO

Nos treinos no Ibirapuera e na USP, a ZTrack se divide em “três células” – alunos iniciantes, intermediários e avançados – com um professor em cada uma delas. Para Zeca, acompanhar as novas diretrizes de treinamento que pululam lá fora não é tão difícil: muito do que hoje “vira” é mera “mudança de nome”. “Funcional era chamado de circuito e o crossfit se fazia no exército”.

“A principal escola de educação física é o bom senso.”

O CLIENTE

Para Zeca, mesmo dizendo que seus treinadores são frequentemente elogiados pelos alunos, há muito a evoluir no “atendimento”. “É nosso calcanhar de Aquiles”. Para ele, muita gente se decide pela assessoria de corrida em razão de “pseudo diferenciais” na estrutura de treinos e provas. “Perguntam do isotônico e se há na tenda café e bolo.” 

JEJUM & MODISMOS

“Já vi de tudo, tive aluno que corria descalço, essas coisas. Acho que tenho uma base de conhecimento boa,  hoje meu papel é dizer ‘se eu fosse você, faria isso, usaria isto aqui’. Usamos nutrição esportiva e não sou de arriscar. Já vi gente desmaiar por treinar em jejum. Quando ele não come nada pela manhã normalmente é porque jantou muito bem.” 

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Paulo Vieira

Paulo Vieira corre pelas ruas de São Paulo desde os 15 anos e pelo mundo desde os 32, quando passou uma temporada em Londres. Adora correr em estradas rurais, descobrir novos caminhos e ir e voltar do Pico do Jaraguá. Mas agora anda frequentando também treinos no Parque Villa-Lobos às 7 da manhã com seu tênis minimalista - desde que a Lusa não jogue na véspera.

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