E agora, o Rio (de novo)

Paulo Vieira

Tag: , , , , , , , , ,

HÁ EXATOS CINCO ANOS, QUANDO JÁ LEVAVA 40 e fumaça no lombo, voltei a participar de uma prova de corrida, algo que não fazia desde a adolescência. Foi no Rio, a meia maratona, concluída com o recurso francamente indigente de caminhar por algumas centenas de metros, lá pelo 19K, no Aterro.

“Francamente indigente”, eis uma bonita expressão que arrumei para o abre deste post. Pois francamente indigente é o c*. Achar, como eu achei na ocasião, que tudo é posto a perder numa prova de corrida quando se alivia o pé é pressupor que algo maior está acontecendo.

Não, não está acontecendo. Você e eu estamos apenas disputando uma corrida de rua. Uma modalidade de lazer um tanto mais exigente fisicamente do que jogar baralho.

(Com o passar do tempo, aliás, jogar baralho pode requerer mais esforço).

Meu ponto: terminar uma prova de corrida, mesmo que a distância pareça à primeira vista uma eternidade, não é uma conquista que deveria ir para o panegírico que provavelmente não será escrito e muito menos lido quando batermos as botas.

(toc-toc-toc)

Espero, de qualquer forma, não ser lembrado por meus pósteros como alguém que concluiu xis maratonas e ipsilone meias.

Dito isso, estou feliz por voltar ao Rio. Será minha primeira “full” na Cité Maravilhé. Maratona é fetiche, e a maratona do Rio é a principal do Brasil, tendo sido concluída por 5 500 fetichistas ano passado, logo realizarei o fetiche dos fetiches em território nacional.

A MARA DO RIO KM A KM

MARATONA, O FETICHE

MARATONISTA DESENCANADO CONTA COMO FOI SUA PRIMEIRA MARATONA AOS 53 ANOS: SIM, FOI NO RIO

A MEIA DO RIO, MINHA NÃO MUITO TRIUNFAL VOLTA AO CASCALHO

DA BARRA AO CRISTO

O TREINO MAIS LINDO DO MUNDO

MINHA TERCEIRA MARATONA: A PRIMEIRA QUEBRA A GENTE NUNCA ESQUECE

CORRIDA? VAI INDO QUE EU VOU PASSAR NA TIJUCA ANTES

CORRENDO A OUVIR O BOLETIM DE TRÂNSITO DA CBN

Vai ser divertido. A Tom Tom, empresa holandesa de relógios e outros gadgets com GPS, uma das patrocinadoras do evento, anuncia a presença de pacers, aqueles sujeitos que seguram balõezinhos com as inscrições 4, 4’30”, 5, 6.

Waal. Vou me sentir em Chicago sem os uivos.

Curioso paradoxo: por conta do pacer da Tom Tom, que deixa o ritmo de cada corredor pornograficamente explícito durante a corrida, não será preciso usar qualquer equipamento atado ao pulso.

A organizadora também contratou bandas de música, na tentativa de atrair mais público para as ruas. Há até uma curadoria preocupada com batidas por minuto e combinações sonoras. Tudo muito bacana e relativamente excitante, embora na minha opinião tão dispensável numa corrida de rua quanto o boletim de trânsito da CBN.

Difícil mesmo vai ser sair de Copacabana, onde dormirei, para os cafundós do Recreio, local da largada. A linha 4 do metrô, cuja inauguração às vésperas da Rio 2016 ninguém mais botava fé, só funciona aos domingos a partir das 7 da matina.

A largada é às 7h30, ou seja, não dá tempo. Podiam ter armado um esquema especial, como no Carnaval e no Réveillon, mas são só 11 mil malucos na “full”, e entre atender caprichos de milhares ou de uns poucos, melhor ficar com a turma do guardanapo.

Uma vez dada a largada, a ideia de que é preciso correr 28K para chegar a São Conrado revela-se um pouco inquietante. Melhor pensar que dali são só 14K até o pórtico de chegada.

Por fim, sei que, diferentemente de São Paulo, feijoada é incomum aos sábados no Rio, mas se alguma alma caridosa souber de algum boteco que a sirva nesse dia, favor dar conhecimento a este pasquim.

Tal qual um treinador de futebol e sua calça roxa, não alinho para uma prova de corrida sem seguir certos rituais dionisíacos no dia anterior.

ABRINDO TUDO/DISCLOSURE: O editor deste pasquim teve passagem aérea e duas noites de hospedagem bancada pela Tom Tom; e inscrição para a corrrida fornecida pelo organizador da prova.

/ 819 Posts

Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 6, com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

Um Comentários

  1. Antonio Bellas

    Tem mais que ser bancado mesmo.!!!!
    Vc eh um dos maiores formadores de opiniao em corrida no Brasil e um exelente corredor
    A proposito: Academia da Cachaca no Leblon, Conde Bernadote, numero eu nao sei
    Bom, Bonito e Em conta para feijoada

    Responder

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado ou compartilhado e os campos obrigatórios estão marcados com asterisco (*).

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.