Toda corrida deveria terminar numa piscina de água quente

Paulo Vieira

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ENQUANTO O BRASIL DERRETIA, eu corria. Do outro lado do mundo. Minha curta estada na Nova Zelândia registrou quatro corridas, três delas daquelas que o vulgo chama de “treino”.

A primeira foi uma prova, e longa. Uma maratona. Exatamente 23 horas após minha chegada em Napier, pérola art déco do Pacífico, corri a maratona de Hawke‘s Bay, uma das regiões vinícolas do país – também tem maçã e abacate por aqui.

O relato está no link abaixo.

MINHA TERCEIRA MARATONA: A PRIMEIRA QUEBRA A GENTE NÃO ESQUECE

Na mala está a medalha, um monte de roupas molhadas e um branco – nem vi direito, suponho que seja branco – feito pela vinícola onde se deu a chegada desses duríssimos 42K. Nunca corri com tanto vento contrário.

Minhas outras corridas foram mais relaxantes. Em Tauranga, na província de Bay of Plenty, à beira-mar, melhor dizendo, à beira-porto, fiz um 8/9K regenerativo, mas não porque tenha trotado ou pegado leve. É que o destino final da corrida era uma terma com quatro ou cinco piscinas salgadas, naturalmente salgadas.

Se este post acrescenta alguma lição a alguém, ela já vem agora: todas as corridas, do mais comezinho trote à mais dura ultra, deveriam terminar numa piscina de águas térmicas.

Dá para entender porque os japoneses são tão chegados numa sauna, frequentando-as todos os dias da semana até tarde da noite.

E esse final delicioso para uma corrida voltou a acontecer na Nova Zelândia, em outra cidade famosa por seus odores sulfúricos: Rotorua. À beira do lago de mesmo nome, cheia de trilhas para caminhadas e pedal, corri por ali 1:15, o que deve ter somado mais 14K ao meu prontuário endorfínico.

Novamente, o grand finale foi numa terma, agora mais chique.

Em Auckland, principal cidade do país, fiz uma trilha clássica, beira-mar, entre o “waterfront” da cidade e a praia de Saint Heliers, 10K a leste. Na volta o tempo virou, choveu e ventou cães e gatos, mas, curiosamente, meu tempo de retorno foi mais curto.

Não tinha terma no final, o jeito foi se virar com o chuveiro do hostel.

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 6, com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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