A vida começa aos 45

Paulo Vieira

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O JORNALISTA QUE CORRE ou o maratonista que faz fé em nossa velha profissão Hermom Dourado comunicou-se de Uberlândia com este JQC para dizer que irá escrever um livro sobre um seu conterrâneo que começou a correr aos 41 e não parou mais.

Depois do início cambaleante, o 5K apenas para perder peso, vieram as longas distâncias, maratonas, ultras, as Comrads sul-africanas e um cascalho interminável pelos mares de morros da Mantiqueira que durou quase 54 horas.

Tanto amor pelo cascalho fez com que Nilson Lima, o nome da fera, como diziam os velhos locutores esportivos, fosse homenageado em vida. É ele quem dá nome aos 42K de Uberlândia, a primeira maratona oficial a acontecer em Minas Gerais.

Guloso que é, este site pediu a Hermom um teaser da biografia que em breve virá a lume.

Evoé.

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Por Hermom Dourado*

Uberlândia entrou em 2016 para o calendário de corridas de rua do Brasil como palco da única maratona de Minas Gerais. Com sua segunda edição confirmada para o próximo dia 9 de julho, a “UDI 42” foi batizada como “Maratona Nilson Lima”.

Ela é um dos bons exemplos de evento que homenageia em vida alguma personalidade de destaque em seu ramo de atividade.

Nilson
Nilson

Definitivamente, Nilson Lima é um camarada que merece todas as reverências. Tal qual tanta gente, ele começou a correr despretensiosamente para perder peso. Na época com 41 anos de idade, penava para completar os 5K de uma volta no Parque do Sabiá, o cartão-postal onde os uberlandenses mais gostam de passear com a família e/ou praticar atividades físicas.

Quatro anos depois, aos 45, ele completava pela primeira vez a mítica marca dos 42.195 metros, finalizando a maratona de São Paulo em 4h17min.

Cruzou a linha de chegada aos bugalhos, jurando para si mesmo nunca mais fazer uma loucura daquelas. Um ano depois, lá estava ele novamente na “pauliceia desvairada”, desta vez fechando a prova em 3h42min02s. Seu tempo só não foi melhor por causa de um contratempo no meio do percurso: Nilson foi atacado e mordido por um cachorro.

Nota do Editor: Essas coisas acontecem mesmo em cidades pequenas.

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Pronto! O tal “vírus da corrida” já tinha feito uma nova vítima e a doença foi se agravando com o passar do tempo. Em 2009, aos 56, veio a primeira ultramaratona do currículo: cinco horas para cumprir o trajeto de 50K entre Teresópolis e Nova Friburgo, na serra fluminense.

Puxado, né? Talvez sim, mas nada que se compare às 135 milhas – 217K – percorrendo os morros da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, em janeiro de 2011. Este foi o desafio mais longo encarado por Nilson Lima até hoje: durou exatamente 53h57min23s.

Aquela era a sua 69ª prova, considerando apenas maratonas e ultramaratonas. Nada mal para quem já beirava a casa dos 60 aninhos.

Pois eis que estamos em 2017 e, aos 64 o uberlandense pode se gabar de estar no auge do preparo físico. No ano passado, em sua quarta participação nos 89K da Comrades, na África do Sul, cravou sua melhor marca na distância: 8h54min01s.

Já chegou a 151 provas de longa distância ao redor do mundo. E não tem a menor pretensão de parar por aqui. Planeja fechar este ano totalizando 167.

“Meu maior desejo é o corpo me permitir correr com prazer ainda por muito tempo”, resumiu ele a este pirralho de 35 anos que não esconde o orgulho de, com muito custo e sofrimento, ter completado três míseras maratonas nos últimos dois anos.

Nilson Lima merece virar tema de livro. Isso vai acontecer. Pode deixar comigo!

* Hermom Dourado é jornalista graduado na Universidade Estadual de Londrina e trabalha e faz mestrado na Universidade Federal de Uberlândia; corredor amador desde o final de 2013, raras vezes subiu ao pódio, mas se orgulha de nunca ter desistido de uma prova – nem mesmo na vez em que teve uma diarreia daquelas justamente quando encarava sua primeira maratona

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 6, com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

3 Comentários

  1. Nilson Paulo Lima

    Parabéns pelos textos bem humorados e pelo canal informativo de forma divertida para os amantes da corrida..!!!

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  2. Eduardo Cavalcanti Neves

    Tive a prazer de conhecer o Hermon na primeira edição da UDI 42, onde fui convidado pelo meu Mestre e Ídolo Nilson Lima para ter a honra de fazer a filmagem do meu “Vamo Simbora 7” https://www.youtube.com/watch?v=PzDTnGKluM0

    Já ansioso pelo lançamento deste livro que tenho certeza que será um sucesso.

    Forte abraço

    Eduardo Neves – Cracrá

    Responder

    • HERMOM DOURADO

      E eu ansioso por finalizar logo este ano cheio de leituras e trabalhos teóricos e partir, literalmente, para a correria dos treinos para a maratona que vou ter a honra de correr ao lado do mestre – isso se ele tiver paciência para diminuir o ritmo dele a um que eu consiga acompanhar – e tb para poder finalmente começar a escrever o livro…rs…

      Abração, amigo Cracrá!!!

      Responder

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