A grande reportagem de Guilherme Roseguini

Paulo Vieira

ALGUNS DIAS APÓS O ENCERRAMENTO das Olimpíadas de Atenas, em 2004, o paulista de Araraquara Guilherme Roseguini teve uma ideia que só repórteres obcecados – atributo essencial do bom jornalismo – costumam ter: descobrir quem era o sujeito que salvou o maratonista Vanderlei Cordeiro da Silva das mãos do maluco padre irlandês que lhe tirou o ouro na maratona.

De Cornelius Horan, o homem que invadiu o cascalho no 36K e impediu que o atleta brasileiro prosseguisse em seu ritmo de corrida, bastante se sabia: tratava-se do mesmo sujeito de ideias apocalípticas que havia atravessado a pista num GP da Inglaterra de Fórmula 1 no ano anterior.

Roseguini descobriu quem era o titã que salvou Cordeiro
Roseguini descobriu quem era o titã que salvou Cordeiro

A máxima ironia: quem venceu aquela prova de Silverstone foi o  brasileiro Rubinho Barrichello.

Daquele grego pai de família, de medidas titânicas e feições ordinárias, contudo, ignorava-se até seu nome.

Da redação da Folha, nos aprazíveis Campos Elísios paulistanos, Roseguini começou sua epopeia. Contatou departamentos de polícia gregos e um ministério.

Lhufas.

Então Roseguini jogou uma cartada daquelas do tipo “vai-que”. Ligou para um homólogo ateniense, e esse jornalista amigo teve uma ideia luminosa: decidiu publicar a foto do são Cristóvão de Vanderlei Cordeiro de Lima na primeira página do jornal local Goal News.

O cara apareceu no mesmo dia. Era só questão de Roseguini correr para o abraço.

Mas como nunca é assim tão fácil, foi preciso contar com um intérprete de última hora para que  o monoglota Polyvius Kossivas pudesse se fazer entender por Roseguini.

A matéria, que você pode ler aqui,  rendeu prêmios e, muito melhor que isso, um encontro de Vanderlei com seu são Cristóvão, em dezembro daquele mesmo 2004, patrocinado pelo Comitê Olímpico Brasileiro.

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Roseguini trocou a Folha pelo SporTV em 2007 e este pela TV Globo aberta dois anos depois. Ele integra uma equipe especializada em grandes reportagens como a que foi ao ar no começo do ano passado, explicando a razão da eficiência do Quênia na produção de brilhantes fundistas.

Um pouco mais sobre esse sujeito que já teve a manha de correr 10K abaixo de 40″, mesmo sendo a natação seu esporte de intimidade, você vê amanhã neste mesmo bat-JQC.

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Paulo Vieira

Paulo Vieira corre pelas ruas de São Paulo desde os 15 anos e pelo mundo desde os 32, quando passou uma temporada em Londres. Adora correr em estradas rurais, descobrir novos caminhos e ir e voltar do Pico do Jaraguá. Mas agora anda frequentando também treinos no Parque Villa-Lobos às 7 da manhã com seu tênis minimalista - desde que a Lusa não jogue na véspera.

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