Um número de peito para o pipoca

Paulo Vieira

COMO SE SABE, A PRINCIPAL ORGANIZADORA de corridas de rua do Brasil, a empresa Yescom, anunciou uma série de medidas para combater o “pipoca”, o sujeito que participa de provas sem pagar as de 100 a 150 pratas que são cobradas do incauto corredor amador à guisa de taxa de “inscrição”.

As medidas basicamente incluem um controle supostamente mais rígido de acesso às baias de largada e chegada. Só.

Conhecendo-se a desorganização quase proverbial dos eventos da empresa, que adora reunir provas de distâncias diversas num mesmo horário de largada, já se pode imaginar o sucesso do novo proceder, que terá seu primeiro grande teste neste domingo, na meia maratona de São Paulo.

Problema é que domingão o povo que disputa os 21K larga novamente junto com a tigrada dos 5K, e com 500 metros de percurso, nem isso, já há um retorno de 180 graus na avenida Arnolfo Azevedo.

Vai vendo.

PIPOCA

PIPOCA, A VISÃO DA YESCOM

PIPOCA, A VISÃO DO ORGANIZADOR

A NOITE MUITO NEGRA DA NIGHT RUN

DEVEMOS FALAR DA MORTE NAS CORRIDAS DE RUA?

É por isso que este pasquim vem a público sugerir uma nova abordagem da questão. Como no velho jargão do reggae: Legalize it! Ou no estilo João Doria: quer pixar, digo, grafitar, tem de ir ao grafitódromo. Quer pipocar, que vá pipocar oficialmente, com segurança e tranquilidade.

Já confeccionamos um lote de 10 mil números de peito (ou “bibs”, no jargão entreguista do meio) que sugerimos à Yescom comercializar por um valor simbólico – R$ 30, quem sabe (aí quinzão é nosso!).

Já reservou o seu?/Arte: Gesu Bambino
Já reservou o seu?/Arte: Gesu Bambino

O pipoca, dessa forma, geraria renda e seria facilmente localizável pela organização.

Poderia até integrar uma categoria própria, com premiação compatível com a renda auferida.

Resta saber se a ele seria vetada a água dos postos de hidratação. Afinal, ganha mais quem bebe menos água quente.

O único senão para a organização é que o pipoca deixaria de ser a Geni, o bode expiatório, a Dilma do mundinho das corridas de rua do Brasil, alguém que sempre pode ser responsabilizado pelo mau serviço oferecido aos pagantes.

E aí todos nós, cumpridores zelosos de nossos deveres de cidadão, teríamos um problema seríssimo com que lidar: quem malharíamos depois?

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Paulo Vieira

Paulo Vieira corre pelas ruas de São Paulo desde os 15 anos e pelo mundo desde os 32, quando passou uma temporada em Londres. Adora correr em estradas rurais, descobrir novos caminhos e ir e voltar do Pico do Jaraguá. Mas agora anda frequentando também treinos no Parque Villa-Lobos às 7 da manhã com seu tênis minimalista - desde que a Lusa não jogue na véspera.

10 Comentários

  1. Marilei

    “Tigrada dos 5km”!!!!! Essa foi feia heimmm
    apaga que da tempo

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  2. renato mello

    Fácil saber quem malhar depois: os pipocas que vão invadir esta “categoria” sem pagar as trinta pilas! Pipocas da categoria pipoca, porque pipocar não é questão de falta de grana , mas sim de falta de caráter, ai meu amigo, difícil resolver.
    abs

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  3. EUGÊNIO AKIHIRO NASSU

    Mas você é favorável aos “pipocas” ?

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  4. Carlos Silva

    Caráter não tem nada a ver com pipocar cara, não gosto de correr na pipoca, mas chamar de mal caráter o cara que não quer pagar uma puta grana por uma corrida que nem é tão atrativa, tanto no percurso quanto no kit é pegar muito pesado.

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  5. Corn(Élio)

    O jornalista em questão correu no dia de seu aniversário na pipoca e postou enaltecendo o feito

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  6. Analu Yamamura

    Que tal abrir um abaixo-assinado para enviar a Yescom com a idéia?

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  7. Diceia Menezes

    Sensacional seu texto. Minha vontade era juntae uma galera e entrar com uma ação pra pegar meus 160 reais de volta, tamanha a revolta da Sao Silvestre. Ficou feio demais eles responsabilizarem os pipocas pela péssima estrutura no geral.

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  8. Ricardo

    Que ideia de jerico… experimente organizar uma corrida e depois conte como fez com os bandidos-pipoca.

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  9. Anderson Zacarias

    Nunca li um texto tão exdrúxulo vindo de um “Jornalista que corre.”.

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    • Paulo Vieira

      Como dizem por aí, “adoro”

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