Smartband: panaceia ou fraude?

Paulo Vieira

NADA COMO VOLTAR DO FERIADO PROLONGADO e, em vez do virado à paulista, encontrar em qualquer boteco da cidade a velha e boa feijoada. Uma perspectiva que melhora o humor de qualquer um.

A MELHOR FEIJOADA DA CIDADE

Boa notícia para este editor, alvíssaras para os amigos leitores do JQC. Embarca hoje no bonde dos colaboradores deste pequeno porém limpinho pasquim mais uma integrante, a jornalista Vanessa de Sá, ex-editora da revista Sport Life, em cuja edição de novembro eu também deixo minhas oleosas e gordas digitais.

Assino lá o perfil de capa da criadora da ONG Vida Corrida, a monumental Neide Santos, que leva cidadania e endorfina ao Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo.

Só nas bancas, que abrir conteúdo no digital para a tigrada, o povo da editora lá não é muito chegado.

NEIDE, A FADA CORREDORA DO CAPÃO REDONDO

OS QUENIANOS DA PIZZA

A PULSEIRA DA SAMSUNG

Vanessa é formada em biologia e leva a sério o diploma, então espere ver alguns mitos da corrida sendo chamados às falas com irrepreensível fundamentação científica.

Um pouco diferente de quando quem está no comando das pretinhas – eparrei! Essa você não ouvia faz tempo – é este velho arrivista.

Descendo o pano.

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A SUA PULSEIRA FITNESS PODE ESTAR mentindo. Guarde este número: um em cada dez americanos usava uma pulseira fitness, ou smartband, ou fitness tracker, em 2015. Nos Estados Unidos, ter  essa “muleta de pulso”, espécie de prestador de contas da sua atividade física, parece ser uma necessidade.

No Brasil não há dados sobre o uso desses gears, embora o mercado conte com várias opções.  Mas eis que muitos estudos vêm botando em dúvida a eficácia dos aparelhos.

Um dos mais recentes, publicado no Journal of Sport Science and Medicineaponta que ele subestima a frequência cardíaca.

O estudo menciona a pulseira Fitbit Charge HR, que, segundo disse Edward Jo, diretor do Laboratório de Performance Humana da californiana State Polytechnic University ao JQC, mediu com precisão batimentos cardíacos do usuário durante exercícios com baixo nível de esforço e também durante o repouso. 

“Mas à medida que a intensidade da atividade aumentava, a precisão caía bastante, quase 20 batimentos por minuto a menos.”

Não para por aí. Para quem quer emagrecer e se fia no que registra a smartband em relação à queima calórica, más notícias: as tractanas superestimam de 16% a 40% a queima quando o exercício é intenso; e subestimam de 27% a 34% quando a pegada é leve – na hora de limpar a casa, por exemplo.

“O erro é muito alto para que o aparelho possa ter utilidade na perda de peso”, avalia Alexander Montoye, da Ball State University.

Dependência tecnológica

Há ainda outro problema. Se não há como negar que as pulseiras ajudam os sedentários a se levantar do sofá, elas também podem causar dependência. A CNN fez um interessante experimento com 200 mulheres usuárias da Fitbit, sugerindo a elas que fizessem atividade física sem o aparelho.

Eis as conclusões:

– Sem a pulseirinha,  45% das mulheres disseram se sentir “nuas”;

– 43% consideraram o exercício que haviam acabado de fazer perda de tempo;

– 22% se sentiram menos motivadas para malhar;

Além disso, metade do universo de pesquisa admitiu que o wearable já as fez se sentir culpadas; e 79% reportaram sentir-se pressionadas a atingir as metas de atividade física recomendadas pela pulseira.

Com tudo isso, é prudente não tirar conclusões prematuras, até porque a pesquisa reuniu um pequeno número de pessoas, mas é no mínimo perturbador ver como uma pulseirinha pode ter tanto impacto no bem-estar das pessoas.

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Paulo Vieira

Paulo Vieira corre pelas ruas de São Paulo desde os 15 anos e pelo mundo desde os 32, quando passou uma temporada em Londres. Adora correr em estradas rurais, descobrir novos caminhos e ir e voltar do Pico do Jaraguá. Mas agora anda frequentando também treinos no Parque Villa-Lobos às 7 da manhã com seu tênis minimalista - desde que a Lusa não jogue na véspera.

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