A maratona do Rio km a km

Paulo Vieira

Ricardo Henrique Raymundo é o maratonista desencanado. Iniciou no maravilhoso mundo das maratonas tardiamente, aos 53 anos, como a dizer que a vida, diferentemente do slogan publicitário, começa 13 anos depois.

O relato dessa primeira de muitas maratonas está aqui.

Mas se maratona não é fetiche para o sangue bom, ela também não é a prova máxima de resistência que ele se permite. Já cumpriu distância equivalente dando voltas numa pista de 400 metros e às vezes vai ao trabalho, em São Cristóvão, correndo.

Ricardo mora pra lá da Pedra.

A MARA DO RIO, UMA HOMENAGEM

A MARA DE SP, KM A KM

UM ROTEIRO PELO PARQUE NACIONAL DA TIJUCA

Pois é esse sujeito que passa a escrever mensalmente, quem sabe a cada quinze dias, alegrar-nos-ia a todos que fosse uma vez por semana, neste JQC.

Ele começa contando o que você vai encontrar na mara do Rio, a mais linda das maras, que acontece daqui a um par de dias.

Vai, brocador.

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A maratona do Rio está na lista das 30 melhores do mundo. A paisagem é única! Largando do Recreio e tomando rumo praia da Macumba o início não dá a dimensão do desafio.

Somente depois de voltar para o Recreio e seguir rumo à Reserva que o tamanho da encrenca começa a ser revelado. A Reserva tem cerca de 8K. Mar de um lado e vegetação litorânea do outro: uma paisagem bonita, mas, ao menos para o carioca, monótona.

Há que se ter cuidado com os olhos de gato do asfalto. Já ví muita gente tropeçando, escorregando e até caindo feio. No 12K chega-se à praia da Barra da Tijuca. Aí são mais 8K. Tem plateia, torcida e você consegue se distrair mais com o cenário .

No 20-21K você chega ao Pepê e sente que está chegando ao fim de umaetapa. Lá no quebra-mar a gente toma a esquerda, sobe o viaduto, passa por dentro do túnel do Joá, desce em direção a São Conrado e comemora já ter percorrido uma meia maratona.

Olhando pra frente, a subida da Niemeyer apresenta suas credenciais.  Curvas e mais curvas, que alguns sobem andando. Depois mais curvas descendo até Ipanema. A vista era linda, e agora com a ciclovia… vamos ver!

Chegando a Ipanema o clima é mais festivo, 30K já foram. Agora você percorre a Faixa de Gaza, o corredor que liga o Arpoador a Copacabana. O nome vem do número de corredores abatidos nesse trecho da prova.

Copacabana significa 5K de palavras de incentivo, brincadeiras, gozações, quiosques que convidam a sentar, beber alguma coisa, bater um papo…sqn. A avenida Princesa Isabel te aguarda a anunciar o último segmento da jornada.

Você cruza o túnel e o Aterro se apresenta, primeiro a praia de Botafogo, no 40K, e em algum lugar além de uma das curvas do Aterro, a linha de chegada se aproxima. (Nota do editor: essa tal curva não chega nunca. Você vai maldizer muito o Pão de Açúcar antes de encontrá-la).

O número de pessoas que gritam empolgadas, tendas de equipes, fotógrafos, já anuncia que você está a metros do portal de chegada.  Surgem as placas de contagem regressiva, 400m, 200m, os gritos aumentam, já dá pra ver o relógio da prova, a grades de proteção vão te conduzindo.

Chegou!  42 KMs + 195 mts. É uma prova única em que a temperatura tem grande influência no desempenho geral. Se suas preces forem atendidas, você termina a prova do domingo outro sob 27 graus.

Bem-vindo ao Rio.

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Paulo Vieira

Paulo Vieira corre pelas ruas de São Paulo desde os 15 anos e pelo mundo desde os 32, quando passou uma temporada em Londres. Adora correr em estradas rurais, descobrir novos caminhos e ir e voltar do Pico do Jaraguá. Mas agora anda frequentando também treinos no Parque Villa-Lobos às 7 da manhã com seu tênis minimalista - desde que a Lusa não jogue na véspera.

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