Você precisa mesmo de planilha?

Paulo Vieira

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Corro daqui a onze dias uma maratona. Outra vez a mais fácil – e barata – delas: São Paulo. Afinal, vivo em São Paulo.

Será apenas a segunda prova de 42K da minha já não tão curta história de corredor frequente. Depois de uns bons seis anos de corridas que, se tiveram alguma regularidade foi por conta de sua irregularidade, emendo aí outros seis ou sete anos de treinos mais caxias, ainda que sem planilha ou orientação estrita.

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PRAZER X PLANILHA

Para esta segunda maratona de São Paulo, chego ainda mais desencanado. Não pedi a consultoria de Treinador e ainda me dei ao luxo de, a apenas duas semanas do Dia M, fazer uma rodagem semanal de ridículos 20K.

Também estou três quilos mais leve e fazendo um pilates de solo muito mais ameno do que aquele funcional maravilha do Compadre Wellington.

Mas dificilmente os 20 graus daquele glorioso 17 de maio irão se repetir neste 24 de abril. É melhor já se precaver, melhor dizendo, se consolar com os 28 graus inamovíveis de Salvador na Mara de SP.

Mas o fato de já não ser rookie na coisa dá uma tranquilidade que talvez seja até exagerada, a julgar pelas planilhas de treino com as quais bati na internet.

Todas elas consideram um plano de 16 semanas, cânone do negócio. Verdade que alguns (poucos) treinadores conscenciosos tentam entender as demandas dos alunos, e adaptam a planilha ao aluno, não o contrário.

Coisa rara.

Mas voltemos às planilhas “universalistas”.

A revista Runner’s World Brasil tem sete opções para maratonistas. Você pode vê-las aqui. A de estreantes tem prescrição para quatro treinos semanais. E na semana mais pesada, a um mês do Dia M, uma quilometragem máxima de 55K com um treino longo de 29K.

Já uma antiga publicada na Contra-Relógio é um tanto mais severa. A sugestão de planilha se dá a partir dos tempos de 10K do corredor. Comento aqui a planilha “nível 12”, para alguém que faz os 10K a partir de 44:31.

Descansa-se carregando pedra. Só há um único dia “off”. Na semana mais pesada são 108K semanais – 18K por dia. O longo é de 34K. Nada tão dramático quando se vê que na primeira semana do ciclo o cartão de visitas já está dado: são 77K semanais, com 14K de trote já na terça, no segundo dia de suor. Recuso-me a declinar a distância a ser percorrida em ladeira no dia seguinte. Veja aqui.

Tudo isso para melhorar uns 5 minutos o meu tempo de maratona, aqueles míticos 3:46? Acho que eu passo.

O meu método, coloque aspas aí, é bastante anárquico, mas ultimamente tem mantido uma certa regularidade. São três, no máximo quatro treinos semanais, 60K de quilometragem semanal com 5% de intervalados, 7% de ladeira e 95% de prazer.

É com ele que alinho de novo para a Mara de SP junto com os incríveis  quenianos da pizza. Se eu chegar nuns 3:35 prometo publicar minha “planilha”.

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 6, com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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