Carro, o vilão

Paulo Vieira

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Pouca gente duvida de que a melhora da condição física depende de poucos fatores. Um deles é crítico: deixar o carro em casa e passar a usar mais vezes o transporte público.

O carro parado ajuda geral: na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, os 7 milhões de automóveis da frota produzem 63% do material particulado presente na poluição atmosférica segundo estudo do Instituto de Física da USP levado à cabo neste semestre.

Juntos não chegaremos lá
Juntos não chegaremos lá

É sabido que a poluição de ar, especialmente em áreas urbanas, é associada ao agravamento de doenças respiratórias, cardiovasculares e neurológicas. No inverno o bicho pega ainda mais com as más condições de dispersão de ar. Material particulado e sabe-se-lá o que mais aterrisa nos nossos brônquios.

Pois é: o meu, o seu, o nosso carro TEM TUDO A VER com isso.

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Por outro lado, o transporte público não é conveniente para boa parte da população, que prefere andar com um sofá e uma poltrona vazios a seu lado enquanto se dirige ao trabalho. Sim, nem tente pegar o metrô na hora do rush. Mas os corredores de ônibus e os bilhetes de integração ajudaram muito na atratividade do sistema.

Quem tem mais flexibilidade de horários ou não precisa estar no trabalho às 8 da manhã, contudo, encontra um sistema razoavelmente viável.

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As cidades que são referência em qualidade de vida investem num sistema de transporte de massa com pequenos deslocamentos a pé ou de bicicleta. Como Helsinki, a capital finlandesa, que tem um plano ousado para 2025 baseado no pressuposto cristalino de que é necessário reduzir a emissão veicular de poluentes. Prioridade total, portanto, aos trens e às curtas jornadas a pé ou de bicicleta.

Um estudo japonês publicado na conferência anual da American Heart Association, que aconteceu neste fim de semana, em Orlando, apontou que quem utiliza o transporte público tem 27% menos risco de se tornar hipertenso e 34% de se tornar diabético.

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Os números de quem prefere o transporte público chegam a ser melhores de quem apenas caminha ou pedala para ir ao trabalho.

A hipótese dos pesquisadores é de que esses deslocamentos seriam mais curtos do que as caminhadas que os usuários de transporte público fazem para chegar à estação ou ao ponto.

Quer pegar leve no começo? Deixe o carro parado um dia por semana; e se você é de Sampa e já faz isso no seu dia de rodízio, aumente a greve branca para dois.

Paulistanos e brasileiros de ontem, hoje e amanhã agradecem.

 

 

 

 

 

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Paulo Vieira

Paulo Vieira corre pelas ruas de São Paulo desde os 15 anos e pelo mundo desde os 32, quando passou uma temporada em Londres. Adora correr em estradas rurais, descobrir novos caminhos e ir e voltar do Pico do Jaraguá. Mas agora anda frequentando também treinos no Parque Villa-Lobos às 7 da manhã com seu tênis minimalista - desde que a Lusa não jogue na véspera.

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