SP sem carro

Paulo Vieira

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Estimular o morador das grandes capitais a deixar o carro em casa é sempre uma ação que merecerá nosso apoio. Isso significa um ar mais respirável para toda a população – lembremo-nos que as pessoas que não tem carro respiram o mesmo ar – e a possibilidade de algum exercício.

No mínimo, já há a caminhada até o ponto de ônibus. A escada no metrô. As duas coisas combinadas. E depois, com o tempo, como propõe a 330volts Camila Hirsch, você começa a descer dois ou três pontos antes.

CAMILA HIRSCH FAZ TODO MUNDO SE MEXER

Pedalar também está mais seguro, ao menos em São Paulo, com os quase 300K de ciclovia já implantados na cidade, mas há de se convir que isso não é para todo mundo. Para se ter uma ideia, em resposta a uma questão específica de pesquisa levada à cabo pela organização Ciclocidade, 70% dos ciclistas não recomendam o trajeto que percorrem usualmente a idosos e crianças.

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Com tudo isso, acaba de ser lançado o app SP sem carro. Ele ajuda o paulistano a se deslocar pela cidade a pé, de ônibus e transporte público.

Mas as propostas de caminho, a pé e de bike, são caretas e ruins.

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Pelo menos os deslocamentos que testei. Se seguisse o proposto pelo aplicativo, meu caminho até o Parque Villa-Lobos, que já faz parte dos meus primeiros 3,5K de treino de corrida, seriam terríveis. A rota apresentada pelo app é pela rua Cerro Corá, a barulhenta, carregada e mal-humorada Cerro Corá, principal via de ligação da região.

Enquanto isso, todo o arborizado, calmíssimo e, pior – mais curto – caminho pelo Alto de Pinheiros é ignorado.

CORRENDO PELA Z.O.

Também ir a pé ou de bicicleta para o endereço de meu antigo empregador é casca: em dado momento o app propõe ao infeliz que siga pela Marginal Pinheiros. Embora o limite de velocidade de 50 km/h tenha diminuído as possibilidades de acidentes, caminhos muito mais inteligentes e tranquilos são descartados.

Ajustes são esperados. Creio que há soluções de tecnologia que permitem que esses dados da realidade sejam levados em conta.

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O app por ora só está disponível para o sistema operacional IOS, da Apple, e é gratuito.

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 6, com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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