Sérgio Xavier e seu novo livro

Paulo Vieira

Se alguém ainda visitasse a homepage de um site, digamos o jornalistasquecorrem.com.br, e se desse ao trabalho de rolar a tela até o rodapé, encontraria um conjunto de “tags”, as palavras/temas mais utilizadas nos posts.

Isso é uma dessas maravilhas do mundo contemporâneo. Graças a simples comandos feitos por um programador – simples hoje –, as palavras mais utilizadas em nosso histórico de dois anos e fumaça aparecem destacadas por sua importância. Automaticamente. Quanto mais frequente, mais espessa na tela, ou, para usar o jargão, de corpo maior.

Pois o nome “Sérgio Xavier” vem junto com a palavra “treino”, logo atrás de “corrida” e “maratona”.

Freud (ou Jung) explica.

Xavier, doravante Treinador, ajudou-me com recomendações preciosas para que eu superasse sem mais aquela a Mara de SP.  Franqueou-me, com generosidade, o anel externo do Ibirapuera, onde passa suas manhãs solitárias e endorfínicas. Só ao entrar ali pude perceber quão grande e acolhedor era aquilo. 6K, me disse, e eu não duvidei.

Antes, priscas eras, o JQC deu uma palhinha de seu Correria, livro que se juntava a outro em sua história de autor especializado em corrida de rua e quejandos, o bacanérrimo (com inflexão de voz de socialite carioca) Operação Portuga.

Jornalista, comentarista, autor e agora coach
Jornalista, comentarista, autor e agora coach

Pois o sujeito não parou por aí. Acaba de mandar às livrarias Vidas Corridas (Edições de Janeiro), em que faz o perfil de nove empresários e profissionais de sucesso que têm em comum a dedicação intensa a pelo menos uma maratona.

É provável que os livreiros o coloquem na seção de esporte ou coisa que o valha, mas ele poderia ombrear com as biografias empresariais da Cristiane Correa.

O lançamento é no próximo dia 3 de setembro, 18h, na Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, na Vila Madalena, Essepê. Fala que você é leitor do JQC que ele dá um desconto.

Treinador mandou pra gente um teaser, o começo de um dos capítulos, em que fala do juiz Antônio Manssur, um dos fissurados de seu livro.

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O GAROTO saiu do cinema eufórico. Que filmaço, que história, quanta energia. Mas, para ele, a cena mais marcante de Rocky III não tinha sido nenhuma daquelas com pancadarias sanguinolentas no ringue.

Toninho vibrou mesmo na metade do filme, quando Rocky  Balboa se deu conta de que precisava estar mais forte para a grande luta final. Então, o boxeador, interpretado por Sylvester Stallone, mandava para dentro um ovo cru e depois saía correndo pelas ruas de Los Angeles – aquilo ficou gravado na mente do menino.

No dia seguinte, Antonio foi o primeiro a acordar na casa dos Manssur, no elegante bairro dos Jardins, em São Paulo.

Antes de o sol nascer, abriu a geladeira e engoliu animado o ovo cru. E foi para a rua. Desceu a rua Bela Cintra e correu feliz até a avenida Brasil.

Voltou para casa mais forte, mais confiante. Estava pronto para encarar qualquer adversário que aparecesse em sua frente. Na falta de um rival brigão, tomou banho, traçou um café da manhã mais convencional e partiu para as aulas do Colégio Dante Alighieri. Tinha apenas 13 anos.

Antonio Manssur Filho, hoje juiz da 2ª Vara Cível do Fórum Regional do Tatuapé, na cidade de São Paulo, dá risadas quando relembra essa história. O que era aquilo? Um moleque saindo em desabalada carreira em uma época em que pouquíssimos adultos corriam na rua. Aquela descoberta foi divisora de águas.

Manssur já era alucinado por esportes, praticava três ao mesmo tempo. Era um nadador razoável, um bom goleiro de futebol de salão e não fazia feio no judô.

 

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Paulo Vieira

Paulo Vieira corre pelas ruas de São Paulo desde os 15 anos e pelo mundo desde os 32, quando passou uma temporada em Londres. Adora correr em estradas rurais, descobrir novos caminhos e ir e voltar do Pico do Jaraguá. Mas agora anda frequentando também treinos no Parque Villa-Lobos às 7 da manhã com seu tênis minimalista - desde que a Lusa não jogue na véspera.

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