Equipe vegana mostra que é possível correr (muito) sem comer carne

Julia Zanolli

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Ser corredor e vegano é um ato de resistência. Não existe maneira mais concreta de mostrar ao mundo que é possível ser saudável sem carne nem qualquer alimento de origem animal, como leite, ovo e mel. O comprometimento dos atletas veganos vai além da alimentação: eles não usam couro, lã e outros produtos que causem sofrimento aos animais.

Para acabar com o mito de que eles são “fraquinhos”, o triatleta e ultramaratonista vegano Daniel Meyer criou a equipe “Força Vegana”. Junto com os corredores Rafa Alvez e Franz Hermann, passou a divulgar a causa do ativismo esportivo em provas pelo Brasil.

Franz na reta final da Maratona de São Paulo deste ano
Franz na reta final da Maratona de São Paulo deste ano

Qualquer atleta vegano pode participar, as principais formas de contato são a página e o grupo da equipe no Facebook. A ideia cresceu e hoje cerca de 400 pessoas fazem parte do grupo. Hermann, de 37 anos, aderiu ao veganismo em 1999 e corre desde 2009. Na entrevista abaixo ele fala sobre a equipe, nutrição e preconceitos no meio esportivo.

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Jornalistas que Correm: Quando a equipe foi criada?
Franz Hermann: Geralmente quando você participa de provas tem um espaço na inscrição para colocar o nome da equipe ou do patrocinador. No final de 2010 o Daniel Meyer, em uma de suas competições, colocou “Força Vegana”.
Eu vi e de imediato falei com ele, pedindo para competir pela mesma equipe. Em seguida falei com o Rafa Alvez, que também é corredor e vegano. A ideia vingou mesmo em 2011, a princípio com nós três.
A equipe começou a ficar mais conhecida na Ultramaratona de 24 horas de Campinas, onde começamos a competir com as camisetas da “Força Vegana”.  A partir daí mais e mais pessoas entraram em contato com a gente e estamos sempre presentes, não só nas corridas de rua e montanha. Hoje a equipe é multiesportiva: temos fisiculturistas, triatletas, lutadores, ciclistas, nadadores, skatistas, entre outros.

JQC: Qual é a principal motivação de vocês?
FH: Divulgar o veganismo através do esporte, acabar com esse mito de que proteína é só carne e de que todo vegano é fraquinho.

JQC: Como é a equipe hoje?
FH: Temos atletas no Brasil inteiro, Portugal, Canadá… Enfim, a equipe se espalhou pelo mundo.

JQC: Vocês fornecem aconselhamento para quem busca conciliar o estilo de vida vegano com o esporte?
FH: Aconselhamento esportivo só pode ser dado por profissionais da área de educação física. O que fazemos é mostrar que é possível, queremos servir de exemplo para quem quer começar a praticar algum esporte, seja ele qual for. Marcamos alguns treinos, normalmente em parques. Chamamos quem quiser participar, seja caminhando, pedalando ou correndo e fazemos um piquenique  no final.

JQC: Qual é o principal preconceito em relação aos atletas veganos?
FH: Muita gente ainda tem aquela mania de achar que por não comer carne o vegano não tem força. No começo da equipe isso ficava claro em competições, mas após alguns anos e com os excelentes resultados que tivemos esse preconceito está sumindo. Estamos mostrando na prática que um atleta vegano compete de igual para igual com quem quer que seja.

JQC: Quais são as principais vantagens dessa opção? A as desvantagens?
FH:  Talvez a única desvantagem (que nem é tão desvantagem assim) são os alimentos fornecidos em provas de endurance. Nós muitas vezes não sabemos o que é vegano. Porém por outro lado acabamos levando a nossa própria comida e sabemos exatamente o que estamos comendo, sem surpresas. E as vantagens do veganismo são inúmeras. Mas acho que a principal é que, além de competirmos por nós mesmos, estamos competindo por uma causa.

JQC: Eu sou vegetariana e às vezes tenho dificuldade em encontrar alimentos proteicos e pouco calóricos. Quais são as suas dicas para atletas que querem consumir menos produtos de origem animal?
FH: Seja o mais simples possível, coma frutas, legumes, vegetais. Eles também proporcionam os nutrientes necessários.

JQC: Muita gente pensa que a questão é só a carne. Há algum produto esportivo que contenha derivados de animais?
FH: Algumas marcas de tênis ainda usam couro de animais e obviamente não usamos esses produtos. Na questão da suplementação (para quem usa suplementos) é só prestar atenção no que você consome, sem grandes segredos.

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Julia Zanolli

Julia Zanolli começou a correr em nome do bom jornalismo quando foi trabalhar na revista Runner’s World sem entender nada do assunto. A obrigação virou curtição, mesmo depois de sair da revista. Se livrou do carro para poder andar a pé pela cidade, mas é fã assumida de esteira. Prefere falar de comida do que de nutrição e acha que ter tempo é muito melhor do que matá-lo.

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