Como ser sereno na TV e nas pistas, por Carlos Tramontina

Paulo Vieira

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O apresentador do SPTV da Globo, o maratonista Carlos Tramontina, no Jornalistas que Correm
Medalha é bom, mas sem exageros

Há 15 anos o rosto amigo e pontual que fala das pequenas tragédias do cotidiano de São Paulo – o rush habitual da volta pra casa, o assassinato da vez, o caixa 24 horas explodido, a histeria pela nova faixa de ônibus -, Carlos Tramontina, 50 e fumaça, consegue ser a enseada de águas calmíssimas de seu horário na TV aberta: não altera a voz, não bate na mesa, não manda o diretor de cena à Casa do Cascalho.

Autor de dois livros, um deles sobre suas desventuras no Himalaia, lançado pela Sá Editora, o apresentador do SPTV 2ª Edição que está há, waal, 35 anos na TV Globo, corre há mais de uma década e parece transportar sua serenidade do vídeo para as pistas: “Se consigo reduzir um minuto na prova, ótimo, caso contrário, está ótimo também. Simplesmente por estar ali e participar já me sinto recompensado”, diz. Eis aí uma sentença absolutamente franciscana para quem entra nesse negócio.

Tramontina também gosta de viajar para participar de provas, e isso ajuda a moldar seus destinos de férias. O paulista de Adamantina, onde São Paulo é por um rio Mato Grosso do Sul, falou ao JQC.

O CORREDOR
“Corro há muitos anos, mas nunca fiz isso de forma metódica. Há pouco mais de dez passei a treinar seguindo recomendações de um técnico na modalidade. Quis melhorar minha condição cardiorrespiratória para subir montanhas.”

A ROTINA
“Treino três vezes por semana e faço ainda duas sessões de musculação. Quando estou me preparando para uma maratona adiciono um treino de corrida nos três meses que antecedem a prova. Minha treinadora, Eliana Reinart, é pessoa fundamental nesse processo todo. Experiente, paciente, cuidadosa, entende e respeita meus limites, me estimula nos treinamentos sem exagerar.”

RAISON D’ETRE
“Corro por prazer. Melhorar meus tempos são objetivos, lógico, mas não de forma doentia. Se consigo reduzir um minuto na prova, ótimo, caso contrário, está ótimo também. Simplesmente por estar ali e participar já me sinto recompensado.”

O MÉTODO
“Não gosto de conversar durante as provas e não ouço música. Curto o caminho, penso na vida, faço planos, preparo palestras, olho as pessoas, amaldiçoo meu coração quando ele dá sinais de fraqueza e xingo meu cérebro quando ele me diz pra parar. Faço a terapia mais barata que existe. Acerto meus ponteiros na corrida.”

O PISANTE
“Uso tênis estruturado, mas tenho variado de modelos e tentado, lentamente, os minimalistas. Já enfrentei uma fascite plantar brava, e aprendi que variar tênis e terrenos ajuda a prevenir novos problemas.”

O CURRÍCULO
“Todas as minhas viagens de férias começam com uma análise do calendário de provas. Depois de escolher a corrida eu decido as datas e como tudo vai acontecer. Assim eu conheci Praga (meia maratona), Berlim (Big 25K), Amsterdã (meia maratona). Desta forma também voltei a Buenos Aires (meia), Porto Alegre (maratona) e mais uma vez retornei a Nova York para correr a maior de todas as provas, a maratona.”

A TRIBUNA
“A corrida me dá saúde e prazer, me equilibra física e psicologicamente. Sou um entusiasta da corrida e falo dela sem parar, tentando conquistar novos adeptos para este nosso bom ‘vício’. Há pouco mais de cinco anos convenci o colega repórter-cinematográfico Aloísio Araújo a começar a treinar. Ele nunca tinha feito isso. Deu certo, não parou mais. Neste começo de novembro corre a maratona da Grécia. O único problema é que a criatura se voltou contra o criador, e ele se tornou muito mais rápido do que eu…(brincadeira). Somos parceiros, sempre largamos juntos. Depois ele me deixa para trás.”

A AGENDA
“Planos (para provas)? A meia de Nice, na França, projeto para 27 de abril de 2014. E certamente vou correr Nova York outra vez. Já Fortaleza… não sei se voltarei… Sofri muito numa meia lá com o calor das 7h30 da manhã.”

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Paulo Vieira

Influenciado pelo velho “Guia completo da corrida”, do finado James Fixx, Paulo Vieira fez da calça jeans bermuda e começou a correr pela avenida Sumaré, em São Paulo, na adolescência, nos anos 1980. Mais tarde, após longo interregno, voltou com os quatro pés nos anos 2000, e agora coleciona maratonas – 6, com viés de alta – e distâncias menos auspiciosas. Prefere o cascalho de cada dia às provas de domingo e faz da corrida plataforma para voos metafísicos, muitos dos quais você encontra nestas páginas. Evoé.

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