Entrevista de fôlego com Ricardo Capriotti

JQC

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Precisa mesmo apresentar o Ricardo Capriotti? Idealizador e apresentador do Fôlego, programa sobre corrida de rua da rádio Bandeirantes, ele inspira muitas pessoas a correrem, mesmo na manhã de um domingo preguiçoso. Além disso, também trabalha na BandSports e na rádio Bradesco Sports FM e é pai de dois filhos. Ah! E treina quase todos os dias! Inspire-se:

JQC – Como você está se preparando para a sua primeira maratona em Buenos Aires?
Ricardo: Treinando bastante e fazendo um trabalho de força com o Claudio Castilho, que é o meu treinador, desde o início do ano. Eu estava sofrendo um pouco com lesões e machucados constantes, então o Claudio achou melhor fazer esse trabalho específico. Também faço o acompanhamento nutricional e uma fisioterapia preventiva, para ficar em condições dignas nos treinos e chegar em um bom estado na prova. Basicamente é isso.

JQC – Como é esse trabalho de força que você está fazendo?
Ricardo:
Na verdade, faço uma musculação completa, mas para os membros inferiores o Claudio deu uma atenção a mais, focando principalmente na região abdominal e lombar.

JQC – Você treina quantas vezes por semana?
Ricardo: Eu treino corrida 4 vezes e mais 2 vezes musculação, 3 vezes por semana eu vou à USP e no outro dia eu faço onde der, na quinta-feira eu deixo para fazer onde estiver mais fácil.

JQC – Como foi a experiência de correr a Meia Maratona da Disney?
Ricardo: Foi muito legal, porque foi a minha primeira prova fora do país e a organização foi muito boa, os cuidados com os detalhes fizeram a diferença, você vê isso em poucas provas aqui no Brasil. Além disso, o percurso foi plano e o clima estava bom, tudo ajudou para tornar a prova perfeita.

Ricardo Capriotti após a meia maratona da Disney

JQC – Por que optou por correr com uma assessoria esportiva?
Ricardo: Corro há 13 anos, comecei por conta própria e fiquei assim por uns dois anos, ai me machuquei, tive um problema no joelho, e fui orientado pelo médico a procurar uma assessoria esportiva. Comecei a treinar com o Mário Melo, um amigo meu, da assesssoria Mário’s Team, fiquei treinando com ele durante 8 anos. Por questões profissionais, tive que mudar do Mário para o Claudio, já que fui convidado a participar do Desafio Pharmaton e para isso teria de correr com uma das oito assessorias que fazem parte da competição. Eu acabei optando pelo Claudio, porque ele é meu amigo também e é um dos colaboradores do Fôlego. Mas não tem segredo, a base do treinamento esportivo é a mesma, só muda um ou outro detalhe. Eu melhorei minhas marcas e meus treinos com o Cláudio, mas eu vejo isso muito mais como fruto do meu empenho, já que estou me dedicando mais agora.

JQC – Corrida dá prazer mesmo sem compromisso?
Ricardo: Sem dúvida! Eu já fiquei muito tempo sem planilha, sem ter prova como objetivo, só correndo porque estava com problemas no trabalho, com muitos afazeres… E dava um prazer as vezes até maior, porque sem a pressão do compromisso, você sai para rodar relaxado, só curtindo mesmo. Depois dessa maratona eu vou dar um tempinho, tirar um pouco o pé, porque venho de uns dois anos com muita cobrança, muita pressão de prova, recuperação… Então, depois da maratona, vou dar uma relaxada, fazer umas provinhas mais curtas, porque não quero mais muita cobrança com planejamento e provas.

JQC – Em quais outros lugares você gostaria de correr?
Ricardo: Eu quero fazer algumas provas de aventura, de montanha, essa é uma coisa que me atrai, porque gosto de desafios e não sou fã de corrida muito leve, com pulinhos, gosto de correr em subida. Estou correndo há 13 anos no asfalto e aqui em São Paulo há poucas provas que me atraem. Acho que vou buscar mais pra frente um pouquinho de motivação em alguma prova de aventura mesmo.

JQC – Quando falou sobre a ideia do programa Fôlego para a direção da Bandeirantes, teve uma boa aceitação?
Ricardo: Eles não levaram muito a sério não, acharam que era uma coisa meio de maluco fazer um programa específico sobre corrida de rua. Mas eu já percebia o crescimento no interesse das pessoas pela corrida e achei que era natural elas buscarem mais informações sobre isso. Tive um pouco de resistência para poder implantar o projeto lá, demorou um pouquinho. Mas hoje o Fôlego é um sucesso, um programa que traz um publico diferente para a Rádio Bandeirantes e que tem uma resposta comercial bem bacana também. Em setembro completamos cinco anos de programa no ar a e isso é uma grande satisfação para a Bandeirantes e para mim também, porque é um privilégio poder aliar um hobby com o meu trabalho.

JQC – E os patrocinadores vieram rápido?
Ricardo: Os patrocinadores vieram razoavelmente rápido, o mercado sempre espera um pouquinho para ver se aquilo vai pegar, se vai dar certo. Eu diria que para uma emissora de rádio foi um tempo bom. A gente depois de um ano já começou a ter resposta comercial do programa, que é muito segmentado, então eu considero que ele teve uma boa resposta e até que bem rápido.

JQC – E os ouvintes receberam bem o Fôlego?
Ricardo: Muito. A gente tem uma média de 120 mil ouvintes por minuto, isso é muita coisa, ainda mais se você levar em conta o horário em que ele é transmitido, domingo de manhã. E recebemos diversos relatos de ouvintes que eram sedentários, fumantes que, motivados pelo programa, mudaram de vida e hoje são corredores, gente que emagreceu muito também. Nós recebemos até um e-mail de um ouvinte que tinha depressão e não toma mais remédio, apenas corre. Isso é muito bacana, muito estimulante para nós e acho que para a rádio também, porque traz um público diferente daquele do dia a dia, que só quer saber de hard news e de informações sobre o trânsito.

Ricardo Capriotti no estúdio da rádio Bandeirantes

JQC – O que você acha dessa leva de médicos nas rádios?
Ricardo: Acho que a mídia eletrônica descobriu que saúde é um ponto fundamental para você ter uma proximidade com o seu ouvinte/telespectador e que estamos vivendo um momento em que as pessoas estão ainda mais preocupadas com a saúde, principalmente as que vivem nos grandes centros, sob uma condição de estresse muito grande. Quando você vê a Globo colocar, uma hora por dia em rede nacional, um programa para falar sobre saúde, é porque realmente tem algo acontecendo.Eu não me espanto com isso não, acho que é uma tendência e que demorou um pouquinho para as mídias eletrônicas despertarem para isso, já que no impresso você vê editorias de saúde há mais tempo, boas publicações sobre o assunto.

JQC: Como é a sua alimentação diariamente?
Ricardo: Vou treinar por volta das 6h da manhã, então eu tomo um café às 5h30, com pão, geleia e um copo de suco, ai depois do treino eu tomo os meus suplementos, que a nutricionista indicou, e no meio da manhã como mais um lanche. A tarde almoço, tomo mais um lanche no meio do dia e no início da noite eu janto, por volta das 20h. Depois não como mais nada, se ficar com fome, tomo um chá, mas normalmente isso não acontece, porque esse cardápio que a nutricionista me passou é bem substancioso, bem rico. Eu também não vou dormir muito tarde, quando é 22h já estou na cama. Esse cardápio tem me ajudado bastante, fiz uma troca muito interessante de gordura por massa magra, então tenho cuidado bem disso para manter meu corpo assim até a maratona.

JQC: Como será a comemoração depois da maratona, em uma churrascaria?
Ricardo: (risos) Sabe que eu ainda não pensei nisso? Mas muito provavelmente será em uma churrascaria, sim. A gente estará num grupo grande do Cláudio, que deve organizar um jantar em Buenos Aires, para comemorar. Mas eu estou focando muito nos treinos, no dia da competição, estou fazendo um trabalho de mentalizar bem a prova. Estava até conversando com um amigo da assessoria sobre em qual quilômetro do trajeto nós passaremos próximo à Casa Rosada, porque já estou decorando o caminho quilômetro a quilômetro.

JQC: Como você escolhe o seu tênis de corrida?
Ricardo: Gosto de tênis estruturado, apesar de eu estar com um peso bom e poder usar tênis mais baixos. Uso uns tênis médios também, nos treinos mais rápidos e com distâncias mais curtas. Talvez seja até uma questão psicológica, mas quando coloco o tênis estruturado, me sinto mais mais seguro e confortável.

JQC: A pergunta que não quer calar, como é conviver com o Milton Neves?
Ricardo: (risos) Não é fácil, porque o Milton é um sedentário convicto e é uma figura. Agora o filho dele do meio está correndo e tem mostrado para ele os benefícios da corrida, então o Milton parece estar mais flexível, mais maleável. Mas ele é um brincalhão, né? Ele é uma das pessoas que mais enalteceram o Fôlego, porque ele percebe através do relato dos ouvintes o bem que o programa e a corrida fazem. Ele já falou no ar e fala pra mim que o Fôlego “foi uma das melhores coisas que a rádio teve nos últimos tempos”, mas eu não consigo convencê-lo nem a andar no condomínio dele, não tem jeito.

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4 Comentários

  1. Fernanda Cubiaco

    Talita, que delícia de ping-pong. Parabéns!
    E o Ricardo, por sua vez, caprichou nas respostas. Muito bom!
    Vamos que vamos!

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  2. Rogério de Souza Sergio Ferreira

    Muito boa a entrevista com o Ricardo Capriotti! Leitura super agradável e sobre assunto que desperta interesse não só nos corredores de rua, como também a todos aqueles que gostam de praticar alguma atividade física.

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  3. Helena - Blog Correndo de bem com a vida

    Parabéns pela entrevista no blog. O Ricardo é sensacional. Muito bacana saber um pouco mais da sua história com a corrida. Valeu demais!!!
    abraços e bons km’s!!
    Helena
    Blog Correndo de bem com a vida
    @Correndodebem

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  4. Marcelo Astolpho

    Capriotti… Uma figura impar ! Um ícone do radio brasileiro e de uma simplicidade e simpatia inigualável.
    Graças a ele, ao Sérgio Patrick e ao Fôlego entrei no saudável mundo das corridas e só tenho a agradecer.
    Parabéns Capriotti e boa prova !!!

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