A primeira meia maratona a gente nunca esquece

Talita Ribeiro

Tag: , , ,

*texto de Tatiana Ferraz

Todo mundo pergunta: Mas como é que você consegue correr 21 quilômetros? Devo confessar que não é da noite para o dia, mas muita gente consegue com uma dose de persistência, paciência e vontade de “sofrer”.

Tudo começou quando um dia cheguei para treinar no parque e encontrei um pessoal da Sócorro, minha equipe, que ainda mal conhecia. Um grupinho bem animado me convidava para um treino em conjunto. Eu perguntei : “é muita coisa? Será que eu aguento?” e eles responderam “Claro, cada um no seu ritmo, se não aguentar você pára.” Beleza. Vamos nessa.

Até então eu estava acostumada a correr uma horinha, cravado. Depois arrisquei um ou outro treino de uma hora e meia, naqueles domingos em que a gente não precisa ficar muito preocupada com os compromissos. E um belo dia cravei 1h 30. Cansada, mas feliz da vida.

Eis que, nesse dia no parque quando topei ir com a turma, a gente começou a correr. E não parava mais. Saímos de São Caetano. Entramos em São Bernardo. Paramos para tomar água em postos de gasolina. E corre. Paramos pra fazer xixi no Carrefour. E corre. E corre. Chegamos na Via Anchieta, correndo pelo acostamento. E corre. O grupo se dispersa um pouco, depois se junta, os cachorros latem. E corre. E corre. Uma típica procissão estilo Forest Gump, mesmo. A gente corre tanto que já não sabe mais porque está correndo e o quanto está correndo. E aí se chega ao destino final: o início. O mesmo ponto de onde partimos. Uns já chegaram, outros ainda estão chegando. E aquela sensação de torpor que só a corrida pode proporcionar.

Olhei no relógio. Foram mais de duas horas e, pelos cálculos dos “GPSs” dos companheiros, quase 25 quilômetros. Isso mesmo. 25. E juro, quase sem perceber. O espírito de equipe, a linda manhã de feriado, a animação da turma, a solidariedade, as paradas para água e descanso e aquele mais “não sei o quê” que todo corredor tem. E foi aí que eu me animei. No dia seguinte senti algumas dores musculares, um pouco de mal jeito nas costas, mas nada que me deixasse com medo.

Semana seguinte me inscrevi em uma prova de 16K, do circuito Athenas. Terminei inteira. Foi aí que meu amigo e ex-companheiro da Rádio Bradesco Esportes FM, o jornalista, corredor e triatleta Ricardo Rirsh me convidou para correr a meia maratona da ASICS, em julho. As inscrições estavam esgotadas, mas havia sobrado uma na equipe dele. Topei na hora, mas estava morrendo de medo.

Chegou o grande dia: manhã escura de domingo, um frio de matar, pedi ao meu marido que me levasse ao Jóquei, local da largada da prova. Ainda estava bem escuro e fazia 8 graus. Senti que o “nível” dos corredores era mais elevado que nas demais corridas… Um povo meio “se achão’, como diria minha filha de 13 anos, mas no bom sentido. Porque 21K não é brincadeira!

Liguei minha música no celular e larguei. Corri. Corri. Os primeiros 10K inteiraça… O problema é quando vão aparecendo as plaquinhas de quilometragem, que demoram cada vez mais… 11, 12, 13… e parece que a de 16K não chega nunca… Mas ela chega. E quando aparece a de 18K você sente previamente que seu desafio está prestes a terminar.

Meu marido (fofo, me apoiando sempre – e isso é tão importante!) ficou me esperando na chegada. Quando olhei pra ele e ele gritou meu nome, deu até uma vontadezinha de chorar… meu “maravilhoso martírio” finalmente acabara… minhas pernas doíam… parece que já não saíam do chão com pouca força… Mas eu cheguei. E fiquei muuuito feliz.

Depois fiquei sabendo que meu marido estava preocupadíssimo… Antes de me ver cruzar a linha de chegada, tinha presenciado algumas cenas, digamos, assustadoras, como pessoas desmaiando, gente chegando quase se arrastando, caras de sofrimento e dor, corredores com hipotermia… Ele chegou a pensar então em que estado a esposa dele chegaria… E com bom humor, se preparou para o pior. Mas eu cheguei inteira, sorrindo e acenando pra ele! Tempo: 2h 16min.

Depois dessa, corri mais uma meia maratona, a de São Bernardo, em agosto. Um trajeto bem diferente… Cheio de subidas e descidas… Por isso o tempo foi um pouco maior, 2h e 18 min.

E eis que surge a oportunidade, na sequência, de correr minha primeira meia maratona internacional… Tinha que ser em Buenos Aires!!!!!! Assunto para o próximo post, que promete vir com lágrimas de tango e alegrias de chacarera!

(chacarera: dança alegre, típica dos moradores do norte argentino)

20130907-101104.jpg

/ 70 Posts

Talita Ribeiro

Talita Ribeiro corre atrás do próximo freela e para conciliar o MBA, o casamento e essa vontade de escrever novas histórias. É iniciante, daquelas bem desastradas, e só decidiu deixar a esteira e o trabalho fixo nesse ano, após voltar de San Francisco, onde todo mundo corre na rua para inovar e aproveitar melhor a cidade.

2 Comentários

  1. Ricardo Hirsch

    Parabens Tati! A corrida conquista e transforma nosso dia-a-dia em uma vida melhor. Bjao

    Responder

Trackbacks & Pingbacks

  1. Retrospectiva Jornalistas que Correm - Jornalistas que correm

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado ou compartilhado e os campos obrigatórios estão marcados com asterisco (*).