Correndo na Mooca, meu!

Talita Ribeiro
Distrital da Mooca
Distrital da Mooca por www.flickr.com/photos/moocaverde

Eu já havia lido de tudo para entender porque não gostava de me exercitar. Cheguei até a considerar que poderia ser genético, já que a endorfina liberada pelos exercícios atinge as pessoas de forma e intensidade diferentes. Essa era quase a desculpa perfeita para manter o sedentarismo, não fosse a autoestima bastante abalada depois de anos de abandono.

Há pouco mais de um ano, fui à praia com meu marido e minha filha e coloquei um biquíni sem a menor vergonha. Olhei nos olhos do ‘digníssimo’ e prometi que aquela seria a última vez que ele me veria com aquele corpo, dentro daquele mesmo biquíni. Não voltei à praia ainda, mas juro que eu vou.

Naquela mesma noite de verão fiz a minha primeira corrida/caminhada, na Orla de Santos. Fui o mais longe que eu pude, ao som de muito rock and roll, mas confesso que o barulho do mundo deixa as minhas corridas mais confortáveis. Talvez pelo fato de eu não querer perder um minuto do que acontece ao meu redor. Coisa de gente assim, meio jornalista. Até pauta eu já bolei observando as ruas onde corria.

Uma das primeiras coisas que buscava com a corrida era esfriar a cabeça. Sempre invejei as pessoas que corriam para esfriar a cabeça. Meu marido mesmo é um desses. Mas confesso que para uma corrida aliviar meus pensamentos, ela tem que ser de no mínimo uma hora, que é quando percebo que meu corpo e minha mente começam a falar a mesma língua, mas aí, muitas vezes, já é o momento de parar.

Gosto de ir sozinha. Aproveito ao máximo os espaços que tenho perto de casa. Mooquense que sou, não poderia abandonar alguns treinos com o meu personal no semi-abandonado Distrital da Mooca, nem um sobe-e-desce um tanto perigoso pela avenida Paes de Barros, além de voltas de 15 minutos quase cravadas no antigo Ceret, no bairro do Anália Franco.

O Distrital da Mooca merece até um parágrafo. O lugar tem o mato alto e muitos moradores de rua. Em alguns degraus decadentes eu faço treinos de corrida com subida e descida, enquanto desvio das pessoas. Já até pisei na mão de um morador do parque uma vez. Mas a corrida não pode parar. Uma desculpa aqui, uma desviada do buraco no degrau ali.

Tem dia que não tem jeito, a academia é necessária. E eis que chega a hora das esteiras. Ah as esteiras… Eu poderia queimá-las em praça pública por sua monotonia em frente àquelas TVs. Mas é nelas que consigo monitorar melhor meus batimentos cardíacos, isso quando meu frequencímetro não ‘rouba’ a leitura do colega ao lado.

Hoje estou acelerando o meu metabolismo, para queimar mais calorias, aguentar correr por mais tempo e ‘trotar’ cada vez menos. Confesso que ainda é difícil, depois de anos “errando de bar em bar”, mas eu vou conseguir. A meta é me inscrever em breve para uma corrida de 5 km. Não ria de minha singela quilometragem. Sou iniciante ainda no mundo da corrida, mas também sou incontestavelmente apaixonada pela sensação de liberdade e a possibilidade de autoconhecimento corporal que ela me oferece.

Além dos meus 5km de corrida, pelo menos três vezes por semana, eu corro de outras formas. Corro de manhã para levar minha filha para escola, para o inglês, corro para o jornal, corro nos fechamentos, corro nas pautas, corro atrás de freela, corro para casa, corro para os braços da minha família. Enfim, minha vida é uma eterna corrida.

Caroline Apple – jornalista, mãe da Izabel e dona de lindas tatuagens inspiradas nas obras de Miró, escreve sobre arquitetura e construção, mas gosta mesmo é de um bom show de rock.

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Talita Ribeiro

Talita Ribeiro corre atrás do próximo freela e para conciliar o MBA, o casamento e essa vontade de escrever novas histórias. É iniciante, daquelas bem desastradas, e só decidiu deixar a esteira e o trabalho fixo nesse ano, após voltar de San Francisco, onde todo mundo corre na rua para inovar e aproveitar melhor a cidade.

2 Comentários

  1. bruno favoretto

    meu, o “distri” ou piscina da mooca está abandonado de dar dó. Mais uma da prefeitura. mendigos dormindo atrás da biblioteca, triste pra quem curtiu aquele lugar como eu, meu pai… uma pena, já que nao há parques no bairro, até porque o “buraco” ou “democrático” serve mais por causa do campo. tem o terreno da esso, na dianópolis, que pode virar tanto parque quanto prédio… dureza

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  2. Personal Trainer

    Hoje prefiro treinar meus alunos no CERET, muito mais tranquilo e bem cuidado.

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